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    Especialistas revelam mitos e verdades sobre a amamentação

    Aleitamento materno pode trazer benefícios para a saúde da mãe e da criança

    Mês de agosto promove a conscientização da importância do aleitamento materno
    Mês de agosto promove a conscientização da importância do aleitamento materno Foto: JGI/Tom Grill/Getty Images

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    A amamentação proporciona diversos benefícios para a criança, como a redução no risco de alergias, hipertensão, colesterol alto, obesidade, diabetes, diarreia, infecções respiratórias e mortalidade infantil.

    O leite materno contém nutrientes essenciais para um melhor crescimento e desenvolvimento da criança. Além de promover melhor desenvolvimento da cavidade bucal, preparando para a mastigação e fala.

    Para a mulher, os benefícios incluem melhor recuperação no pós-parto, redução nos riscos de desenvolvimento de doenças e de câncer, além de fortalecimento do vínculo com os filhos.

    O mês de agosto, dedicado à conscientização sobre o aleitamento materno, é uma oportunidade para abordar mitos e verdades sobre a prática.

    É mito que exista “leite fraco”

    O organismo da mulher e do bebê passam por mudanças e com o leite materno não é diferente. Com o tempo, ele se transforma e se adapta de acordo com as necessidades da criança.

    O Ministério da Saúde considera três fases diferentes do leite materno: colostro, de transição e maduro.

    Durante os primeiros cinco dias de vida da criança, o corpo da mulher produz o colostro. Com aparência transparente ou amarelada, o primeiro leite contém proteínas e anticorpos, sendo fundamental para a proteção do bebê.

    Entre o 6º e o 15º dia após o nascimento do bebê, o corpo da mulher passa a produzir um leite mais denso e volumoso, chamado leite de transição, que é rico em gorduras e carboidratos.

    O leite já maduro começa a ser produzido por volta do 25º dia e possui uma aparência consistente e esbranquiçada. A composição conta com proteínas, gorduras, carboidratos e outros nutrientes.

    De acordo com o ministério, não existe o chamado “leite fraco”. O tipo e a quantidade de leite materno produzido pelo corpo da mulher são ideais e adequados para cada fase de vida do bebê.

    É mito que a criança precise de qualquer alimento antes dos seis meses

    O aleitamento materno é recomendado até os dois anos ou mais, sendo o único alimento que a criança deve receber até os 6 meses, sem necessidade de água, chá ou qualquer outro alimento.

    O leite materno é um alimento completo, pois contém todos os nutrientes e proteínas necessários para o crescimento e desenvolvimento nesta fase. Além disso, possui substâncias de defesa que não são encontradas em nenhum outro leite e protegem o organismo da criança.

    Começar a amamentação logo após o nascimento, na primeira hora de vida, traz benefícios para a criança e para a mãe.

    É mito que a criança deva ser alimentada em horários fixos

    A orientação do Ministério da Saúde é a amamentação de livre demanda, ou seja: o bebê deve mamar sempre que desejar.

    A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) afirma que não é preciso estabelecer um horário fixo.

    “Recomenda-se que a criança seja amamentada sem restrições de horários e de duração da mamada. É o que se chama de amamentação em livre demanda. Nos primeiros meses, é normal que a criança mame com maior frequência e sem horários regulares. É ela quem determina a frequência e a duração das mamadas. Ela aprende a reconhecer seus sinais de fome e saciedade e isto pode estar relacionado a menores taxas de obesidade na idade adulta”, diz a SBP.

    É mito que o leite congelado perde os nutrientes

    O leite materno pode ser congelado por até 15 dias sem perder suas características e qualidade nutricional, desde que armazenado corretamente.

    “O ideal é descongelar o leite em banho-maria, sem ferver, para preservar as proteínas e o valor nutricional”, diz a ginecologista e obstetra Aline Ambrósio.

    É mito que o tamanho da mama tenha relação com a produção de leite

    De acordo com o Ministério da Saúde, tanto as mamas grandes quanto as pequenas possuem capacidade de secretarem o mesmo volume de leite.

    Além disso, a cirurgia no seio para inclusão de prótese de silicone não impede a mulher de amamentar. A preservação das estruturas da mama pode ser feita em acordo com a equipe médica relacionada.

    É mito que se a criança morder o peito seja necessário parar de amamentar

    O desconforto do bebê com a formação dos dentes tende a ser temporário e costuma diminuir logo após o nascimento dos dentes.

    “Nesse período, você pode oferecer um pano úmido frio ou um brinquedo/mordedor gelado para aliviar o desconforto do nascimento dos dentes. Evite medicar sem orientação e sem necessidade. Não existe indicação ou necessidade de parar com a amamentação quando surgem os dentes ou quando o bebê começa a morder o peito”, diz a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

    A SBP recomenda que, durante a amamentação, a boca e a língua do bebê fiquem posicionadas entre os dentes e o mamilo, o que reduzirá as chances de mordida durante a sucção.

    É verdade que o uso de fórmulas pode ajudar mães em dificuldade

    O uso de leite artificial ou fórmulas para bebês não substitui o leite materno em essência, mas pode ajudar mães que apresentam dificuldade ou não podem amamentar e aquelas que sofrem de depressão pós-parto.

    “A fórmula não tem os benefícios sobre as proteções que o leite materno confere, como evitar alergias em geral, o desenvolvimento da arcada dentária óssea e muscular, melhor flora intestinal”, afirma a ginecologista e obstetra Aline Ambrósio. “Considero mais penoso e prejudicial o aleitamento materno num clima materno de depressão, indiferença, rejeição em relação aos bebê, pois marca o psiquismo do bebê como ameaça à existência”, completa.

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a fórmula infantil não contem anticorpos e nem células de defesa que funcionem no ser humano, diferente do que ocorre no leite materno.

    “A fórmula não é capaz de trazer essa proteção tão importante aos bebês, que naturalmente nascem com dificuldade de se defender das infecções até por volta dos 2 anos de vida, principalmente os prematuros”, diz a SBP.

    É verdade que a amamentação da criança por outra mulher seja perigoso

    A criança deve ser alimentada somente pela mãe ou a partir de material disponibilizado por bancos de leite. A médica Maria Augusta Junqueira Alves, gestora do banco de leite humano da Santa Casa de São Paulo, afirma que é contraindicado que mães doem leite por conta própria ou amamentem filhos de mulheres com dificuldades de aleitamento.

    “A amamentação cruzada, como é conhecida a prática, é formalmente contraindicada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse tipo de amamentação traz diversos riscos ao bebê, podendo transmitir doenças infectocontagiosas”, alerta.

    É verdade que a amamentação traz benefícios para a inteligência da criança

    Estudos demonstram que as crianças amamentadas, quando comparadas com as não amamentadas ou amamentadas por pouco tempo, têm um Quociente de Inteligência (QI) maior, em média 3,4 pontos a mais.

    De acordo com a SBP, o desenvolvimento do cérebro nos primeiros dois anos de vida é muito intenso e o leite materno possui substâncias que favorecem que a criança atinja o seu potencial de inteligência. Além disso, a criança amamentada tende a ser mais estimulada, o que também é essencial para o desenvolvimento saudável da criança e a formação de vínculos afetivos.

    No entanto, a SBP alerta que isso não significa necessariamente que toda criança amamentada é mais inteligente que aquelas que não recebem o aleitamento.

    É verdade que a hidratação contribua para a produção do leite

    A professora do Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Jorginete de Jesus Damião afirma que a parte líquida do leite é produzida a partir da hidratação da mãe.

    “É importante que a mulher que está amamentando beba ainda mais água. Uma boa dica é ter uma garrafa de água sempre por perto quando for amamentar”, afirma Jorginete.

    Além disso, com a demanda aumentada de água no organismo é possível sentir mais fome e sede e, por isso, a mulher que está amamentando pode ficar mais desidratada que o normal.

    É verdade que o aleitamento contribui para o retorno ao peso normal da mãe

    A mãe que amamenta volta mais rapidamente ao seu peso normal. Além disso, o aleitamento reduz as chances de desenvolvimento de doenças como diabetes.

    Estudos também apontam que a amamentação ajuda a reduzir a hemorragia após o parto e previne o câncer de mama, de ovário e de útero.

    É verdade que o leite materno pode variar de cor

    A cor do leite materno pode variar com a alimentação da mulher e com o uso de alguns medicamentos.

    A SBP afirma que o consumo de cenoura, abóbora e vegetais de cor laranja pode deixar o leite mais amarelado, devido à maior concentração de betacaroteno, um pigmento presente nesses alimentos.

    Segundo a SBP, a cor azulada ou esverdeada pode ocorrer quando a mulher consome grande quantidade de vegetais verdes ou alimentos que contenham corantes verdes.

    Já a coloração rosa ou laranja pode ser devida à ingestão de alimentos ou bebidas dessas cores, como beterraba, refrigerantes, sucos e gelatinas. A SBP destaca que na maioria das vezes, a mudança de cor do leite é normal e que não há motivo para preocupações.

    É verdade que amamentar seja sustentável e econômico

    O leite humano é considerado o alimento mais econômico, renovável, ecológico e seguro que existe, não precisa de embalagem, não contamina e nem deixa desperdício.

    “A amamentação mantém uma conexão profunda entre a saúde e os ecossistemas do planeta, resultando em um dos melhores investimentos para reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde e o desenvolvimento social e econômico das populações”, afirma a pesquisadora Danielle Aparecida da Silva, coordenadora do Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).