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    Estudante descobre alternativa para combater mosquito da dengue; assista

    Brasil enfrenta epidemia da doença e falta de inseticida para controle do transmissor Aedes Aegypti

    Guilherme GamaJairo NascimentoKarla ChavesTalita Amaralda CNN

    O estudante Felipe Silva Sacramento, de Salvador, Bahia, encontrou nas folhas de uma planta comum na sua região uma alternativa de combater a proliferação do Aedes Aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus.

    O Brasil registra aumento nos casos das chamadas arboviroses — o número de casos prováveis de dengue e chikungunya notificados ultrapassaram o limite máximo esperado, considerando a série histórica, caracterizando situação de epidemia, de acordo com o Ministério da Saúde. A pasta tem atrasado a entrega de um inseticida usado no controle do Aedes na sua forma adulta, por meio de borrifação espacial “fumacê”, por problema no fornecimento.

    Extrato das folhas do Araçá impede o desenvolvimento das larvas

    Em 2019, Felipe, ainda no ensino médio, dedicou-se a procurar soluções ao seu redor para um problema da dengue que também estava na vizinhança. Na busca, encontrou o Araçazeiro: vegetal presente em jardins e quintais de casas na Bahia, mas também em toda Mata Atlântica brasileira.

    As folhas da árvore apresentam flavonoides e polifenóis, substâncias com potencial antibacteriano, capazes eliminar bactérias importantes para o desenvolvimento das larvas de mosquitos. Além disso, as folhas contém compostos chamados de saponinas com potencial larvicida.

    Os resultados dos experimentos mostram que o extrato aquoso do Araçazeiro possui boas quantidades dessas substâncias de modo que favoreceu o uso sem riscos para o meio ambiente. O extrato apresentou um potencial alternativo e sustentável para o controle da proliferação do mosquito Aedes aegypti.

    O projeto foi um dos mais de 200 apresentados na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), que aconteceu na Universidade de São Paulo (USP) na última semana. Desde 2003, a feira realiza uma mostra de projetos científicos e tecnológicos que reúne estudantes de todo o Brasil, com objetivo de estimular o interesse em ciências e engenharia em jovens da educação básica através do desenvolvimento de projetos criativos e inovadores.

    O projeto foi premiado em segundo lugar na categoria “Biológicas” e recebeu credenciamento para a feira “GENIUS Olympiad”, que acontecerá em junho deste ano, em Nova York, nos Estados Unidos. Os próximos passos do jovem cientista são conseguir patrocínio para realizar a viagem para o exterior e patentear o método desenvolvido.

    Epidemia de dengue e chikungunya

    Os casos de dengue tiveram aumento de 53% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados na última sexta-feira (25) pelo Ministério da Saúde. Chikungunya registrou aumento de 98% de chikungunya e Zika Vírus, 124%.

    A pasta destaca que com aumento de incidência de casos prováveis e óbitos confirmados, o cenário epidemiológico é de epidemia. O relatório mostra 404.485 casos prováveis de dengue, com incidência de 190 casos por 100 mil habitantes. 4.088 casos graves foram contabilizados, 117 óbitos pela doença e 167 em investigação.

    No caso da Chikungunya, 53.996 casos prováveis foram registrados — incidência de 25 casos para cada 100 habitantes. Oito óbitos foram confirmados e 27 estão em investigação. Já sobre o Zika Vírus, são 1.624 casos prováveis, com 0,8 casos por 100 habitantes, sem óbitos pela doença.

    Dezessete cidades declararam emergência ao Centro de Operações de Emergências (COE Arboviroses), criado neste mês pelo ministério para traçar estratégias para redução do número de casos graves e óbitos por essas doenças. São dez em São Paulo, duas no Mato Grosso do Sul, três em Santa Catarina, uma em Minas Gerais e uma no Paraná.

    Falta inseticida

    O Ministério da Saúde disponibiliza aos estados e ao Distrito Federal quatro tipos de inseticidas para o controle do Aedes, e um deles, o inseticida “Imidacloprida + Praletrina”, sofreu problemas na aquisição, que foi iniciada em 2021 — o que resultou no atraso no fornecimento, conforme informado aos estados e municípios.

    Essa substância é usada no controle do Aedes na sua forma adulta, por meio de borrifação espacial “fumacê”, e é uma ferramenta para o controle emergencial, para bloqueio de transmissão, quando todas as outras medidas de controle forem insuficientes. A atual gestão do Ministério da Saúde, informou que sanou as questões pendentes e aguarda o recebimento do produto, com expectativa de chegada ao país nas próximas semanas.