Estudo aponta causa para névoa mental, um dos sintomas da Covid de longa duração

Ilustração em 3D mostra formato de partícula do novo coronavírus
Ilustração em 3D mostra formato de partícula do novo coronavírus Foto: Viktor Forgacs/Unsplash

Ligia Tuon, da CNN

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Um dos sintomas mais frequentes relatados por pacientes com a chamada Covid de longa duração, a “névoa cerebral” ainda é uma incógnita para os cientistas. Um estudo recente publicado no último dia 8, na revista especializada Cancer Cell, porém, parece ter encontrado uma explicação.

Para a equipe multidisciplinar de pesquisadores do Memorial Sloan Kettering (MSK), esse sintoma — que envolve confusão mental, dores de cabeça e perda de memória de curto prazo — pode ser uma consequência da presença de moléculas inflamatórias no líquido cefalorraquidiano, que fica ao redor do cérebro e da medula espinhal.

 

O estudo se concentrou em 18 pacientes hospitalizados no MSK com Covid-19 com problemas neurológicos graves. De início, essas pessoas passaram por uma avaliação neurológica completa, mas os médicos não encontraram nenhuma explicação para a “névoa cerebral” nas imagens.

Desta forma, os pesquisadores procuraram a resposta no líquido cefalorraquidiano, mas também não encontraram nenhum rastro do vírus. No entanto, os médicos descobriram que os pacientes apresentavam inflamação persistente e altos níveis de citocinas no líquido, o que explicava os sintomas que apresentavam, de acordo com Jan Remsik, coautor do estudo.

As citocinas são produzidas quando o corpo está passando por uma ativação do sistema imunológico ante um processo inflamatório. Produzidas em demasia, essas proteínas contribuem para o descontrole mental.

“Costumávamos pensar que o sistema nervoso era um órgão com privilégios imunológicos, o que significa que não tinha nenhum tipo de relação com o sistema imunológico. Mas quanto mais olhamos, mais encontramos conexões entre os dois”, disse a médica-cientista Adrienne Boire em entrevista destacada no site do MSK.

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