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    Estudo: bolha de vacinados protege crianças não vacinadas de forma substancial

    Menores de 5 anos não são elegíveis à vacinação contra Covid-19 no Brasil; estudos mostram que familiares vacinados geram proteção aos pequenos

    Vacinação de crianças contra a Covid-19 em Porto Alegre (RS)
    Vacinação de crianças contra a Covid-19 em Porto Alegre (RS) Cristine Rochol/PMPA

    Jen Christensenda CNN

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    Quando os pais perguntam à especialista em doenças infecciosas pediátricas Dra. Amy Edwards, como podem manter seus pequeninos livres da Covid-19, ela diz que isso é simples.

    “Vacine todos ao seu redor e isso protegerá seu filho muito bem”, disse Edwards, diretora médico-associada de controle de infecções pediátricas no Hospital Universitário Rainbow Babies and Children, em Cleveland, nos Estados Unidos. “Não é uma proteção completa, mas é uma proteção melhor”.

    Na semana passada, os EUA superaram 1 milhão de novos casos de Covid-19 entre crianças pela primeira vez desde que a Academia Americana de Pediatria começou a rastrear, disse o grupo na terça-feira, e os números agora são quase cinco vezes a taxa do pico do surto no inverno passado. Mas crianças menores de 5 anos ainda não são elegíveis para vacinas contra a Covid-19 nos Estados Unidos.

    No entanto, há novas evidências de que elas podem obter proteção significativa contra o coronavírus se todos ao seu redor estiverem vacinados.

    Dois novos estudos feitos em Israel descobriram que vacinar todas as pessoas de uma casa reduz a transmissão do vírus que causa a Covid-19. Os estudos foram publicados na revista Science, na quinta-feira.

    Um estudo analisou o período entre janeiro e março de 2021, quando a variante Alfa do coronavírus estava em ampla circulação, e entre julho e setembro de 2021, quando a variante Delta superou a disseminação em Israel. Durante o primeiro período, nenhuma criança em Israel era elegível para receber a vacina. No segundo período, apenas crianças com 12 anos ou mais eram elegíveis.

    Os pesquisadores descobriram que as crianças que viviam em uma casa com uma única pessoa vacinada tinham um risco 26% menor de pegar Covid-19 no início de 2021. Ter uma pessoa vacinada ainda gerava proteção quando a variante Delta estava em ampla circulação, mas isso diminuiu para 20,8%.

    Se a criança morasse em uma casa onde dois dos responsáveis fossem vacinados, elas teria um risco significativamente reduzido de pegar Covid-19. Durante a parte da pandemia em que a variante Alfa estava em circulação, crianças que viviam com duas pessoas vacinadas tinham redução do risco em 71,7%. Com a Delta, o risco de pegar a doença era reduzido em 58,1%.

    “A vacinação dos pais confere proteção substancial em casa para as crianças não vacinadas”, disseram os pesquisadores, que trabalharam na Universidade de Harvard, Instituto de Pesquisa Clalit, Universidade Ben Gurion, Universidade de Tel Aviv e Hospital Infantil de Boston.

    Outro estudo analisou a taxa de transmissão entre os contatos domiciliares e reforçou o caso da proteção indireta das vacinas.

    Os pesquisadores descobriram que, antes da variante Delta, as pessoas que receberam a vacina Pfizer/BioNTech e mesmo assim contraíram a doença, tiveram a infecciosidade ligeiramente reduzida em comparação com aqueles que ficaram doentes e não haviam sido vacinados.

    Pesquisadores da Universidade de Yale e do Instituto Maccabi de Pesquisa e Inovação analisaram famílias que foram imunizadas com a vacina da Pfizer antes e depois que a variante Delta estava em ampla circulação.

    A eficácia total da vacina foi estimada em 91,8% entre 10 e 90 dias após a vacinação e 61,1% mais de três meses após a segunda dose. Houve evidências de que a proteção diminuiu depois desse período de tempo, e o estudo não levou em consideração as doses de reforço.

    Quando a variante Delta se tornou dominante, a eficácia da vacina Pfizer caiu para 65,6% entre 10 e 90 dias e 24,2% mais de três meses após a segunda dose.

    Mas mesmo com o declínio na eficácia, quando os pesquisadores analisaram o risco para as crianças nessas famílias, eles encontraram uma “maior redução no risco para crianças expostas a um membro infectado vacinado versus um não vacinado, independentemente da variante que estava em circulação”, disse o estudo.

    É dentro de casa onde muitos casos começam, sugere o estudo. Outros estudos sugeriram o mesmo. O risco de transmissão a partir de um membro da família infectado foi 100 vezes maior do que o risco médio de contrair infecção da comunidade.

    Não houve aumento significativo na transmissão domiciliar quando a Delta estava em circulação. As crianças, no entanto, tinham um risco menor de infecção tanto da comunidade quanto de um membro da família infectado, e as próprias crianças doentes eram um pouco menos infecciosas do que os adultos.

    “Sempre soubemos que as crianças não são os principais transmissores desse vírus”, disse Edwards, que não está envolvida nos novos estudos. “Os adultos sempre foram os principais transmissores desse vírus, e é por isso que é a nossa incumbência, como adultos, sermos vacinados, os que usam as máscaras e os que tomam os cuidados, porque somos os principais responsáveis por esses surtos. Somos nós que podemos mantê-las seguras”.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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