Estudo pedido por Biden e barrado por Trump mostra risco em dose de álcool

Conclusões do estudo, publicado no Journal of Studies on Alcohol and Drugs, corroboraram anos de pesquisa, afirmando que os riscos à saúde aumentam com apenas uma dose de bebida alcoólica por dia

Reuters
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Um estudo que constatou que mesmo baixos níveis de consumo de álcool podem aumentar os riscos à saúde foi publicado na íntegra, nesta terça-feira (9), em um periódico independente, após uma versão preliminar ter sido ignorada pelo governo Trump, que optou por não considerar a pesquisa, encomendada pelo governo federal, para fundamentar as novas diretrizes sobre consumo de álcool nos EUA, estabelecidas no início deste ano.

O estudo, originalmente encomendado durante o governo Biden, constatou que o risco ao longo da vida de morrer por uma causa relacionada ao álcool, incluindo lesões e acidentes de trânsito, era de pelo menos 1 em 1.000 para americanos que consumiam uma bebida por dia, mas que esse risco subia para 1 em 100 para aqueles que consumiam duas bebidas por dia.

Para homens americanos que consumiam duas bebidas por dia – uma taxa amplamente considerada como consumo moderado – o risco era de 1 em 25, segundo o estudo.

A indústria de bebidas alcoólicas, que fez lobby contra o estudo, afirma que sua metodologia era falha e que foi conduzida por cientistas com viés contra o álcool.

Na terça-feira, o Conselho de Bebidas Destiladas dos Estados Unidos afirmou que uma investigação do Congresso concluiu que o estudo era "irremediavelmente falho" e não deveria ser considerado para as diretrizes alimentares. A investigação foi liderada pelo republicano James Comer, do Kentucky, estado natal do uísque bourbon americano.

O governo Trump optou por usar um estudo separado da organização sem fins lucrativos Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina para embasar a atualização sobre o álcool.

Esse estudo constatou que o consumo moderado de álcool está associado a um menor risco de morte por qualquer causa.

Um funcionário do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) disse que a versão final publicada na terça-feira não havia sido revisada pelo governo e apresentava diferenças importantes em relação ao trabalho encomendado pelo governo federal, incluindo o fato de minimizar certos efeitos protetores que receberam a mesma importância na versão preliminar, excluir outras análises e fazer recomendações políticas.

Um grupo de seis autoridades de saúde dos EUA vinha elaborando, no início de 2025, uma proposta para restringir a recomendação sobre o consumo de álcool para os americanos, limitando-a a uma dose por dia para todos os gêneros, em vez de duas doses por dia para homens e uma para mulheres, conforme as Diretrizes Alimentares de 2020-2025.

O governo Trump acabou publicando novas recomendações que orientavam os americanos a beber menos para uma saúde melhor, mas sem orientações sobre as porções.

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