Estudo que investiga mortes por Covid-19 aponta para subnotificação
Pesquisa investiga a subnotificação de óbitos causados pelo novo coronavírus na cidade de São Paulo
Um projeto da Secretaria Municipal de São Paulo está analisando os laudos de mortes suspeitas pelo novo coronavírus.
Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), que lidera o estudo, afirma que o número de casos da Covid-19 na capital paulista com certeza é maior do que o registrado.
“Estamos trabalhando com os dados que temos da mortalidade e também com aquilo que foi notificado como sendo síndrome respiratória aguda grave", falou.
"Hoje nós temos no município de São Paulo 13 mil casos confirmados de morte pela Covid-19 e aproximadamente seis mil como síndrome respiratória aguda grave, que pode ser ou não Covid-19”, explicou ele em entrevista à CNN.
Os pesquisadores vão fazer, portanto, um cruzamento de dados para tentar identificar a causa da morte dessas seis mil pessoas. A pesquisa que está sendo realizada, então, investiga a subnotificação e não a supernotificação – como muitos acreditam que tenha – na cidade de São Paulo.
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Lotufo falou ainda sobre a baixa notificação de casos e mortes do novo coronavírus que, segundo ele, é uma questão que afeta o mundo todo. Para o docente, isso se deve à falta de testes e a sua eficácia.
“Os testes demoraram para aparecer. Quando a pandemia é declarada em 11 de março praticamente a China, Coreia do Sul e Alemanha tinham testes”, disse.
“A outra questão [é que] para um teste dar certo é preciso ser colhido no tempo ideal, entre 3, 4 e 8 dias do início dos sintomas, além de ser bem colhido. E, como todo teste, ele não tem sensibilidade de 100%”.
Até quarta-feira (23), o Ministério da Saúde havia registrado no país 138.977 mortos e 4.624.885 diagnósticos da doença causada pelo novo coronavírus. São Paulo continua como o estado com a maior incidência do vírus, com 951.973 casos e 34.492 mortes.