Estudo: risco de reinfecção por Covid-19 pode saltar para 50% em não vacinados

Estimativas mostram que imunidade cai rapidamente entre não vacinados; medida põe em cheque a ideia de imunidade natural

Vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19
Vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19 Getty Images

Camila Neumamda CNN

São Paulo

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O risco médio de reinfecção por Covid-19 em pessoas que não tomaram vacina salta de 5%, depois de quatro meses da infecção inicial, para 50%, em 17 meses — a menos que elas tomem precauções como vacinar-se e usar máscaras.

Essa é a previsão de um modelo matemático elaborado com base nas relações genéticas entre SARS-CoV-2 e outros coronavírus feito por pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e divulgado na revista Nature.

No geral, a proteção natural parece durar menos da metade do tempo que dura para os três coronavírus do resfriado comum. As descobertas também alertam que as pessoas podem ser reinfectadas em apenas alguns meses se não forem vacinadas, um contraponto à ideia da “imunidade natural” pela Covid-19 entre pessoas que já contraíram o vírus.

“A imunidade tem vida relativamente curta”, diz o coautor do estudo Jeffrey Townsend, bioinformático da Escola de Saúde Pública de Yale em New Haven, Connecticut. “Você ainda deve ser vacinado, mesmo que tenha sido infectado”, afirma o pesquisador em artigo publicado na Nature.

Townsend explica que ficou “surpreso e amedrontado” com suas descobertas, que sugerem que a Covid-19 provavelmente fará a transição de uma doença pandêmica para uma endêmica.

Mais dados serão necessários para saber exatamente quanto tempo dura a imunidade natural. “Mas não queremos esperar por isso. E não precisamos fazer isso”, diz Townsend.

Superimunidade contra a Covid-19

Para estimar a durabilidade da imunidade contra SARS-CoV-2, Townsend e seus colegas queriam entender como os níveis de anticorpos de uma infecção anterior afetam o risco de reinfecção.

Dados de um estudo anterior permitiram à equipe traçar esse efeito ao longo dos anos para coronavírus “endêmicos” ou em circulação contínua que causam o resfriado comum. Mas o SARS-CoV-2 é muito novo para que tais dados de longo prazo estivessem disponíveis.

Para preencher esta lacuna, os cientistas combinaram dados genéticos do SARS-CoV-2, três coronavírus endêmicos e os coronavírus intimamente relacionados ao SARS-CoV e MERS-CoV para construir uma árvore genealógica viral.

Os autores, então, usaram essa árvore para modelar como as características virais evoluíram ao longo do tempo. Juntos, esses traços forneceram uma estimativa do declínio nos níveis de anticorpos após a infecção por SARS-CoV-2 e de outros fatores necessários para entender o risco de reinfecção.

Ainda assim, muitas incógnitas permanecem, incluindo a provável gravidade da doença quando alguém é reinfectado.

Os indivíduos também podem variar significativamente em sua suscetibilidade à reinfecção e, se reinfectados, no curso da doença – incluindo se eles têm probabilidade de desenvolver Covid-19 longa.

Não vacinados correm mais risco de reinfecção

Sarah Cobey, bióloga evolucionista da Universidade de Chicago, adverte à Nature que a nova pesquisa se baseia na suposição de que as semelhanças genéticas dos vírus tenham semelhanças em características relevantes para a reinfecção.

Ela observa que pode ser muito cedo para fazer uma declaração confiante sobre a rapidez com que a proteção diminui após uma infecção por SARS-CoV-2.

Mas ela acrescenta que a ciência sugere que a proteção realmente diminuirá: “Ninguém espera que a imunidade dure tanto tempo com um vírus que está evoluindo especificamente para escapar da imunidade.”

Cobey também ressalta a necessidade de as pessoas infectadas reforçarem sua proteção com a vacina – um ponto confirmado por pesquisas publicadas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos em agosto.

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