Ex-secretário da Saúde vê vacinação em massa só em abril: ‘Não é coisa rápida’

Wanderson de Oliveira diz que volta às aulas presenciais não deve ser pautada para recuperar 2020, mas sim para preparar escolas para 2021

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo

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Para o ex-secretário nacional de Vigilância em Saúde Wanderson de Oliveira, a vacinação contra a Covid-19 em larga escala no país pode ter início apenas a partir de abril de 2021. A previsão, feita em entrevista à analista da CNN Raquel Landim, leva em conta as dificuldades logísticas.

“Eu creio, sinceramente, que nós teremos uma vacina sim neste ano. Teremos uma composição biológica. Mas a produção em escala, até chegar à disponibilidade de todas as pessoas, seja para comprar ou para recebê-la pelo Sistema Único de Saúde, vai ser um processo que eu acredito que em meados de abril, maio do ano que vem. Não é uma coisa rápida”, disse.

Wanderson já dirigiu o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e ocupou a secretaria de Vigilância em Saúde no início da pandemia, nas gestões dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.

Sucessor dele à frente da secretaria, Arnaldo Correia de Medeiros tem uma posição mais otimista. À CNN, Medeiros disse acreditar que 15 milhões de brasileiros sejam vacinados ainda em 2020.

Recentemente, o Brasil fechou contrato com a farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford, responsáveis por um dos projetos mais avançados de imunização.

Volta às aulas

O ex-secretário Wanderson de Oliveira afirmou que países pelo mundo têm tido sucesso com a retomada das atividades presenciais nas escolas e que o foco não deve ser preservar o ano letivo de 2020, mas sim preparar as condições para garantir as atividades normais no próximo ano.

“Esse não é mais um ano recuperável do ponto de vista didático-pedagógico, mas se não nos prepararmos para 2021, o prejuízo para essas crianças será muito maior”, disse o epidemiologista.

A respeito da marca de 100 mil mortes por Covid-19, Wanderson afirma que, apesar da gravidade, há um indicativo de que ações do governo fizeram efeito, uma vez que algumas previsões consideravam que esse número poderia ter sido atingido entre o final de junho e o início de julho.

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O ex-secretário afirma que muitas mortes poderiam ter sido evitadas com mais articulação entre os entes federativos e que havia maior necessidade de conscientizar a população para a responsabilidade com o coletivo.

“O fato de ter levado a esse número é uma dificuldade de coordenação da resposta à emergência, principalmente congregando estados e municípios.Trazendo a população para junto do Sistema Único de Saúde, para ela entender a importância da sua contribuição individual na proteção do próximo”, afirma.

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