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    Falta de IFA derruba produtividade de vacinas contra Covid-19 da Fiocruz em 46%

    A quantidade de vacinas entregues ao Ministério da Saúde vem diminuindo mês a mês desde maio

    Pedro DuranIsabelle Resendeda CNN

    No Rio de Janeiro

    A remessa de vacinas contra a Covid-19 entregues pela Fiocruz ao Programa Nacional de Imunizações vem caindo mês a mês desde maio. O motivo foi a diminuição da quantidade de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) importado. A Fundação recebeu menos matéria-prima do que esperava e teve que diminuir a velocidade de produção na fábrica de Bio-Manguinhos.

    De acordo com levantamento feito pela CNN, a queda nas entregas entre maio e julho foi de 30%. Entre maio e agosto, a produtividade despencou 46%. O mês de agosto vai terminar com menos doses entregues do que os quatro anteriores, representando o terceiro mês de queda.

    Em maio, a Fiocruz registrou a maior remessa já entregue, com 21 milhões de doses com a fórmula da AstraZeneca disponibilizadas para o Ministério da Saúde. Em junho, esse número caiu para 18,2 milhões de doses. Em julho foram 14,5 milhões de doses. Em agosto foram 11,4 milhões de doses entregues, incluindo a remessa enviada ao PNI, nesta sexta-feira (27).

    Com isso, a Fundação totaliza 91,9 milhões de doses. 8 milhões a menos do que o que foi inicialmente estimado para o primeiro semestre. Ou seja, menos doses e mais tempo de produção do que a própria fundação previa.

    Em nota, a Fiocruz afirma até agora já recebeu 15 lotes de IFA suficientes para a produção de cerca de 93 milhões de doses. A fundação explicou que nos meses de fevereiro e março, houve um esforço da AstraZeneca para enviar um número de lotes maior do que o acordado, o que permitiu o escalonamento da produção. A partir de maio, a farmacêutica retomou o envio de dois lotes mensais contratados.

    Vacina contra Covid-19
    Profissional prepara aplicação de vacina da AstraZeneca contra Covid-19 em Belo Horizonte (MG) / ESTADÃO CONTEÚDO

    Na ponta, a vacina faz falta. Algumas cidades brasileiras, como Juiz de Fora, em Minas Gerais, tiveram que suspender a aplicação da segunda dose da vacina Oxford /AstraZeneca, produzida pela Fundação. A vacinação com o imunizante foi normalizada na última quinta-feira (26/8). A aplicação será retroativa de modo que, em vez das 12 semanas de intervalo incialmente determinadas pelo Ministério da Saúde ou 8 semanas nas novas diretrizes, as pessoas acabarão tendo um intervalo maior, de 14 semanas.

    Mais três lotes de IFA mensais estão previstos para serem entregues nos meses de setembro, outubro e novembro. A quantia de matéria-prima, segundo a Fiocruz, vai gerar 70 milhões de doses de vacina até o fim do ano.

    O calendário de entrega de vacinas fabricadas com o IFA 100% nacional está sendo revisto e a previsão da Fundação é que o primeiro lote fique pronto somente em novembro. A expectativa é produzir em 2021 cerca de 50 milhões de vacinas com IFA nacional, com entregas previstas para 2021 e 2022.

    Segundo a Fundação, o cronograma será atualizado de acordo com o andamento do projeto e o cumprimento de objetivos e de metas estabelecidas. Por se tratar de um processo complexo qualquer alteração no cronograma será comunicada com transparência e maior brevidade possível.

    Veja a quantidade de doses entregues mês a mês:

    Janeiro: 2 milhões (doses prontas importadas da Índia)
    Fevereiro: 2 milhões (doses prontas importadas da Índia)
    Março: 2,8 milhões por produção nacional com IFA importado
    Abril: 19,7 milhões por produção nacional com IFA importado
    Maio: 21 milhões por produção nacional com IFA importado
    Junho: 18,2 milhões por produção nacional com IFA importado
    Julho: 14,5 milhões por produção nacional com IFA importado
    Agosto: 11,4 milhões por produção nacional com IFA importado