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    Falta de medicamentos afeta principalmente estoque das farmácias, diz presidente do Sindhosp

    Pesquisa da Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta que 80,4% dos 2.469 municípios que responderam à consulta relataram falta de medicamentos básicos

    Lucas RochaVinícius Tadeuda CNN

    em São Paulo

    Uma pesquisa da Confederação Nacional de Municípios (CNM) apontou que 80,4% dos 2.469 municípios que responderam à consulta relataram falta de medicamentos básicos da assistência farmacêutica.

    Em entrevista à CNN, nesta sexta-feira (22), o presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Sindhosp), Francisco Balestrin, afirmou que o impacto da falta de medicamentos atinge hospitais e farmácias.

    “Começamos a identificar que o grande constrangimento que os hospitais estavam tendo para o atendimento dos pacientes era a falta de alguns medicamentos. Alguns básicos e outros que são mais complexos, como antibióticos e contrastes. Até soro fisiológico e a dipirona que é um medicamento que todos nós conhecemos”, afirma.

    “Quando isso chega já aos hospitais privados, como é o caso agora, isso já atingiu antes o setor público e atingiu também principalmente o estoque das farmácias”, alerta Balestrin.

    O especialista aponta que a falta de medicamentos é um problema com causas multifatoriais, incluindo a dependência de importação dos insumos utilização na fabricação dos fármacos.

    “O que falta na realidade são os chamados insumos farmacológicos ativos, que são aqueles sais com os quais os medicamentos são feitos. A maior parte deles é importada e depois são produzidos aqui no Brasil”, diz.

    Os principais países produtores de insumos farmacêuticos são a Índia e a China. De acordo com Balestrin, a importação dos insumos é afetada por fatores que impactam na produção pelos países.

    “A China, todos nós sabemos, tem aquela política de Covid Zero. Então qualquer surto que aconteça naquele país ele simplesmente faz um lockdown, algumas cidades chegam a ser fechadas e a produção principalmente desses insumos é abandonada, ela para. Então esses produtos acabam se escasseando. Como eles produzem para o mundo inteiro, então você vai ter um fluxo grande de países atrás desses produtos”, explica.

    Segundo o especialista, a guerra na Ucrânia também influencia o fluxo de exportação e importação dos produtos.

    “Quando você tem o constrangimento do fluxo normal desses produtos – e uma guerra acaba causando isso, porque os fluxos aéreos ficam mais complexos, você acaba tendo o aumento do petróleo, o aumento do dólar. Todas essas coisas acabam atrapalhando a linha normal de produção desses IFAs e principalmente da exportação deles”, diz.