Falta de vacinação agrava quadro de internações pediátricas no Amapá, diz médica

À CNN, a presidente da Sociedade Amapaense de Pediatria, Camila Salomão, explicou que a falta de estrutura e baixos níveis de imunização resultaram em hospitais cheios por síndromes gripais

Ricardo Gouveia, da CNN, em São Paulo
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Um surto de doenças respiratórias já matou pelo menos seis crianças e levou o Amapá a decretar estado de emergência.

Os casos de síndromes gripais e de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) são provocados pela circulação do vírus influenza A, causador da gripe, e pelo vírus sincicial respiratório (VSR).

O aumento de infecções por esses dois vírus é comum nesta época do ano e atinge todo o Brasil, mas os efeitos se tornaram mais severos no estado.

A Sociedade Amapaense de Pediatria (SAP-AP) aponta dois principais motivos para a situação: os baixos índices de vacinação contra a gripe em crianças e a menor quantidade de leitos no estado.

“A maioria das nossas crianças não foi vacinada contra o vírus [da gripe] e estão suscetíveis”, explicou à CNN a presidente da SAP-AP, Camila Salomão. “Sem a vacinação, ocorre uma alta taxa de transmissão do vírus, as crianças vão para a escola e vão passando para as outras. E elas já estão com o sistema imunológico comprometidos desde a pandemia de Covid.”

Ainda de acordo com a Sociedade Amapaense de Pediatria, a faixa etária mais atingida é a dos seis meses a cinco anos de idade, sendo que os quadros mais graves têm atingido as crianças menores de dois anos.

O surto no estado era prevenível, considerando que esse grupo está apto à vacinação contra a gripe, que pode ser aplicada a partir dos seis meses. “É muito complicado falar para um pai e para uma mãe que uma criança foi a óbito devido a um quadro gripal que evoluiu”, disse Camila.

Os vírus responsáveis pela disparada de internações provocam aumento de secreções nos pulmões e comprometem a respiração das crianças.

Nesta terça-feira (23), 12 mil toneladas de oxigênio enviadas pelo governo federal chegaram ao Amapá, na cidade de Santana. O insumo é destinado ao abastecimento do Hospital Universitário.