Fase 3 de testes detecta problemas antes não observados, diz sanitarista
"Se o efeito adverso for persistente, é possível que o estudo não possa prosseguir", disse o professor de saúde pública Sérgio Zanetta
O médico sanitarista e professor de saúde pública do Centro Universitário São Camilo (SP), Sérgio Zanetta, falou em entrevista à CNN sobre a suspensão dos testes da vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford.
Ele explica que os estudos da fase 3 de testes clínicos existem para detectar problemas que não foram observados em outros estudos menores, justamente para proteger os usuários finais.
“Temos dezenas de vacinas e existem fases para cumprir. Estamos no terceiro estágio da fase clínica onde já foi testada segurança e atividade biológica num grupo pequeno de pessoas. Agora, é testada novamente a eficácia e segurança em alguns milhares de pessoas”, esclarece.
A decisão de se suspender os testes foi anunciada após uma suspeita de reação adversa séria em um participante do estudo. Um porta-voz da AstraZeneca disse que o problema ocorreu com um voluntário no Reino Unido, e os testes do imunizante foram interrompidos em todo o mundo, inclusive no Brasil.
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“Se o efeito adverso for persistente, é possível – e já aconteceu isso – que o estudo não possa prosseguir. Se isso for revertido, o estudo retoma e pode ser eventualmente concluído até o julho de 2021, que é o seu prazo”.
Zanetta reitera ainda que, quem diz que a vacina estará pronta para uso antes da finalização do ensaio clínico da fase 3 “ou não sabe o que está falando ou realmente tem conflito de interesses”.
(Edição: Sinara Peixoto)