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    Febre oropouche: há risco de surto no Brasil?

    Amazonas emitiu alerta epidemiológico para a doença nesta semana; entenda se o vírus pode se espalhar a nível nacional

    Amazonas emite alerta epidemiológico para Oropouche, doença parecida com dengue
    Amazonas emite alerta epidemiológico para Oropouche, doença parecida com dengue Scott Bauer/Agricultural Research Service/United States Department of Agriculture/Divulgação

    Gabriela Maraccinida CNN

    Nesta semana, o Amazonas emitiu um alerta epidemiológico para a febre oropouche, uma virose semelhante à dengue, informando um total de 1.398 casos confirmados da doença desde o primeiro dia do ano. Na quinta-feira (29), Rio de Janeiro registrou o primeiro caso da infecção.

    Além do Amazonas, os estados do Acre e Rondônia estão em estado de surto, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em fevereiro deste ano, a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) emitiu alerta epidemiológico para o aumento da febre para o continente americano. De acordo com a entidade, a maioria dos surtos ocorreu em todas as faixas etárias e gêneros, mas crianças e jovens foram os mais atingidos.

    Apesar de os casos estarem concentrados na região norte do Brasil, existe a preocupação de um surto em nível nacional, principalmente diante de uma epidemia de dengue — na quinta-feira (29), o Brasil atingiu a marca de 1 milhão de casos prováveis da doença transmitida pelo Aedes aegypti.

    À CNN, Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que existem chances de a doença se espalhar para todo o Brasil, mas que isso não acontecerá do dia para a noite. “A dengue começa assim e a febre amarela também. Elas começam em regiões específicas e depois se espalham pelo país”, exemplifica.

    “Como outras arboviroses, quanto mais há pessoas infectadas com a febre oropouche, maior é a tendência de progressão. Quanto mais pessoas infectadas pelo vírus, mais o mosquito vai transmitir a doença”, afirma o especialista. Isso acontece porque, assim como o Aedes aegypti, o mosquito transmissor da febre oropouche precisa picar uma pessoa contaminada para infectar outra.

    No entanto, Kfouri reforça que essa expansão não deve ocorrer do dia para a noite e, portanto, não há motivo para alarme. “Os casos não devem explodir rapidamente. O que deve acontecer é a transmissão importada: uma pessoa que viaja para a região Norte, onde há mais casos de oropouche, pode ser contaminada e, então, aumentar as chances de a doença ser transmitida para outras pessoas da sua região”, opina.

    É o que aconteceu no caso do Rio de Janeiro, por exemplo, em que um homem testou positivo para a febre oropouche após ter viajado para o Amazonas, de acordo com Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ). O caso segue sob investigação epidemiológica pela equipe de vigilância sanitária da cidade.

    O que é febre oropouche?

    A febre oropouche é uma doença causada por um arbovírus, ou seja, um vírus transmitido por um mosquito. De acordo com o Ministério da Saúde, o Orthobunyavirus oropoucheense (OROV), causador da infecção, foi isolado pela primeira vez em 1960, a partir da amostra de sangue de um bicho-preguiça capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília.

    Os sintomas da febre oropouche são parecidos com os da dengue e da chikungunya e, por isso, as doenças podem ser confundidas. É o caso de:

    • Dor de cabeça;
    • Dor nas articulações;
    • Dor muscular;
    • Náusea e vômitos;
    • Diarreia.

    Para diferenciar a febre oropouche de outras arboviroses é preciso fazer o diagnóstico, que é clínico, epidemiológico e laboratorial. Ou seja, são avaliados os sintomas, se houve contato com pessoas infectadas ou regiões que estão com surto, e a realização de exames laboratoriais para excluir a possibilidade de outras doenças com sintomas semelhantes.

    Além disso, o Ministério da Saúde reforça que a febre oropouche compõe a lista de doenças de notificação compulsória, classificada ente as doenças de notificação imediata. Isso porque a febre apresenta um potencial epidêmico e alta capacidade de mutação do vírus, podendo se tornar uma ameaça à saúde pública. O tratamento deve ser feito com repouso, hidratação e uso de medicamentos para aliviar os sintomas.