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    Fiocruz alerta para aumento de Síndrome Respiratória Aguda Grave em crianças

    Desde julho, pesquisadores do Infogripe apontam alta de casos positivos para outros vírus respiratórios, além da Covid-19, no grupo até 9 anos

    Atividades escolares durante a pandemia de Covid-19 na cidade de Jundiaí (SP)
    Atividades escolares durante a pandemia de Covid-19 na cidade de Jundiaí (SP) Prefeitura de Jundiaí

    Iuri CorsiniMylena Guedesda CNN

    no Rio de Janeiro

    O Boletim Infogripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta-feira (11), destaca o aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças entre 0 e 9 anos de idade. Nessa faixa-etária, houve uma alta significativa do vírus sincicial respiratório (VRS), com registros semanais superiores aos observados para a Covid-19. Entre as crianças, são registrados entre 1.200 e 1.500 casos semanais de SRAG, valores similares ao pico de julho de 2020.

    O VRS é um dos principais agentes de infecção aguda nas vias respiratórias e pode afetar os brônquios ou pulmões. Desde o mês de julho os pesquisadores apontam um aumento gradual de casos positivos para outros vírus respiratórios, como Rinovírus, Adenovírus, Bocavírus e Parainfluenza 4.

    À CNN, o coordenador do estudo, Marcelo Gomes, afirma que esses agentes comumente causam internação desse público, mas o que chama atenção é o reaparecimento desses vírus.

    A explicação para a volta, segundo ele, é uma consequência natural do aumento da exposição das crianças em função do retorno das aulas presenciais e maior circulação da população nas ruas.

    “A Covid-19 veio nos lembrar de algo que ignoramos há anos, a qualidade do ambiente escolar. O ressurgimento desses vírus, que estavam sumidos durante o isolamento social imposto pela pandemia, deixa claro algumas evidências que a ciência já fala há décadas: é mais do que urgente melhorar o ambiente da sala de aula, principalmente a ventilação”, ressalta o pesquisador.

    Gomes alerta ainda que o controle da quantidade de alunos em cada sala é outra medida que já devia ter sido tomada há muito tempo.

    “O número reduzido de estudantes por sala de aula é bom para a pedagogia e para a saúde. É claro que é utópico pensar que não vai haver transmissão de vírus respiratórios nas escolas, mas a preparação e planejamento do ambiente é fundamental para evitar os patógenos”, afirma.

    Em relação ao novo coronavírus, a possível liberação da vacina para o grupo com menos de 12 anos tem sido vista de forma positiva para proteger também as crianças. Em outros países, como Estados Unidos e China, a vacinação desse público já é uma realidade.

    Campanha multivacinação de crianças e adolescentes no Distrito Federal
    Campanha multivacinação de crianças e adolescentes no Distrito Federal / Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

    A doutora Julia Spinardi, médica da área de vacina da Pfizer, afirmou à CNN que a previsão é de que até o fim deste mês os trâmites de análise de dados do imunizante sejam concluídos e, então, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) possa se posicionar em relação à vacinação em crianças a partir dos cinco anos.

    “Foi publicado há dois dias o estudo que deu base ao licenciamento da vacinação em pessoas entre 5 e 12 anos de idade. As tratativas já começaram em outros países. Nas próximas semanas, esperamos o posicionamento das agências europeias. Já iniciamos a tratativa de submissão junto à Anvisa aqui no Brasil. Esperamos que até o final de novembro a gente consiga concluir os trâmites de análise de dados para que a Anvisa se posicione sobre a autorização ou não em relação ao uso da vacina na população de 5 a 12 anos”, disse Spinardi.