Fiocruz alerta para aumento na proporção de internações e óbitos em idosos

No entanto, em entrevista à CNN, o pesquisador Raphael Guimarães explica que os números absolutos diminuíram em todas as faixas etárias

Leitos de UTI no Hospital Ronaldo Gazzola, na zona norte do Rio de Janeiro, durante pandemia da Covid-19
Leitos de UTI no Hospital Ronaldo Gazzola, na zona norte do Rio de Janeiro, durante pandemia da Covid-19 Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo (10.mar.2021)

Everton Souza, da CNN, no Rio de Janeiro

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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) faz um alerta para o aumento proporcional de internações e mortes por Covid-19 nas pessoas acima de 60 anos no Brasil em relação ao restante da população. O Boletim Observatório Covid-19 desta quinta-feira (22), fez uma comparação entre a semana epidemiológica 23 (6 a 12 de junho) com a semana epidemiológica 27 (3 a 10 de julho).  

Na semana de junho a proporção de internações entre idosos, era de  27,2%. Na de julho subiu para 31,8%. Em relação ao percentual de mortes, na semana de junho era 44,8% nessa faixa etária. Agora está em 58,2%. A maior parte dos óbitos por Covid-19 voltou a ser de idosos desde 27 de junho.

Em entrevista à CNN, o pesquisador da Fiocruz, Raphael Guimarães, explicou que o deslocamento da curva retornando lentamente para a faixa etária idosa já era esperado, na medida que a cobertura vacinal tem um progresso. 

“É importante ressaltar que os números absolutos diminuíram em todas as faixas-etárias, tanto em internações quanto em mortes. O que está acontecendo agora, não há surpresa. O mesmo benefício que os idosos estavam tendo no início com a vacinação, os adultos também estão tendo agora e, por isso, voltamos a ter um destaque da população acima dos 60 anos”, afirma. 

Ainda de acordo com Guimarães, o cenário mostra que a vacinação surte efeito e a priorização dos idosos foi uma atitude acertada. 

“A porcentagem retifica a ideia de que os idosos têm maior risco. Ou seja, eles realmente deveriam ter sido priorizados na imunização, como foi feito”, disse. 

Os dados mostram, portanto, uma redução proporcional de internações em leitos de terapia intensiva na faixa etária de 50 a 59 anos e uma interrupção no aumento na faixa de 40 a 49 anos. 

“Convém ressaltar que houve uma inflexão na tendência de declínio. Para os casos, a média de idade das internações já chegou a 52,1 anos. Para os óbitos, a inflexão é mais evidente: a média da idade atingiu 59,4 anos. A maioria dos casos voltou a se concentrar acima dos 60 anos”, dizem os especialistas. 

Os maiores aumentos de casos de Covid-19 nas últimas duas semanas foram observados nos estados de Roraima, Mato Grosso e Santa Catarina. Paraná, Mato Grosso e São Paulo apresentam as maiores taxas de mortalidade pela doença. As maiores taxas de letalidade foram registradas no Rio de Janeiro (5,7%), São Paulo (3,4%), Amazonas (3,4%) e Pernambuco (3,1%). 

O Boletim reafirma a importância do avanço da campanha de vacinação para a persistência da melhora nos números da pandemia.

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