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    Fiocruz dá início a vacinação em massa contra a Covid no Complexo da Maré

    Estudo vai verificar a efetividade da vacina e mapear a transmissão do vírus no ambiente familiar

    Isabelle Resende, da CNN, no Rio de Janeiro

     

    Tem início nesta quinta-feira (29) a vacinação em massa contra a Covid-19 na população acima de 18 anos residente no Complexo da Maré, o maior conjunto de favelas da cidade do Rio. O estudo, que irá avaliar os impactos da vacinação na população, será conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

    A meta é imunizar até o próximo domingo (1) 31 mil pessoas, com a vacina Oxford/Astrazeneca, produzida pela Fiocruz. O grupo, junto com as demais faixas etárias que foram contempladas pelo calendário do município, passa a ser monitorado pelos pesquisadores nos próximos meses.  

    De acordo com o coordenador do estudo, Fernando Bozza, por ser tratar de território altamente povoado, o estudo permitirá um mapeamento da doença com características singulares. Formado por 16 favelas, o Complexo da Maré possui cerca de 140 mil habitantes, a maioria jovens, com menos de 30 anos. O número de pessoas que atualmente vive na Maré é superior ao de cidades como Cubatão (SP), Resende (RJ), Crato (CE) e Pinhais (PR). 

    Além de verificar a efetividade da vacina, serão feitas análises sobre a dinâmica da transmissão do vírus no território, o acompanhamento de possíveis efeitos adversos das vacinas e a vigilância das novas variantes do coronavírus. 

    Quanto a metodologia utilizada no estudo, serão conduzidas duas linhas de atuação de forma simultânea. A primeira consiste na identificação de casos sintomáticos, onde os participantes deverão informar imediatamente caso apresentem os sintomas de suspeita da Covid-19. A partir daí, eles serão submetidos ao teste de RT-PCR para fazer o diagnóstico.

    Além disso, de forma ativa, as equipes do estudo também acompanharão as atividades das Unidades Básicas de Saúde para orientar a realização do teste molecular dentro da janela de sete dias desde o início dos sintomas. 

    O resultado da testagem será cruzado com o monitoramento da situação vacinal e o desfecho do quadro, com sua classificação final de gravidade. Desta forma, será possível calcular a proteção que a vacina está conferindo à população. Todos os resultados positivos serão encaminhados para realização de sequenciamento genético, para identificar possíveis variantes do vírus e colaborar na vigilância genômica da região. 

    Já a segunda linha tem como objetivo mapear a transmissão do vírus no ambiente familiar. Para isso, um grupo de 8 mil moradores (cerca de 2 mil famílias) será acompanhado pelos pesquisadores durante seis meses. Nesse período, será feita a avaliação de soroprevalência nos indivíduos, ou seja, da resposta imunológica, cálculo da proporção de vacinados e ocorrência de casos.

    Fila para vacinação na campanha contra a Covid no Complexo da Maré (RJ)
    Fila para vacinação na campanha contra a Covid no Complexo da Maré (RJ)
    Foto: Bruna Carvalho/CNN

    A análise incluirá também os membros que não são público-alvo da vacinação, como crianças e adolescentes. A partir daí, os pesquisadores poderão saber, por exemplo, se ao vacinar os adultos, as crianças estariam protegidas.  

    A mobilização dos moradores para adesão à vacinação em massa e ao estudo conduzido pela Fiocruz está sendo liderada pela ONG Redes da Maré, instituição com mais de 20 anos de atuação no território. A organização também tem feito a articulação de outros atores como associações de moradores, influenciadores, comunicadores populares e lideranças para informar e esclarecer a população da Maré sobre a importância das ações.

    Mulher sendo vacinada na campanha contra a Covid no Complexo da Maré (RJ)
    Mulher sendo vacinada na campanha contra a Covid no Complexo da Maré (RJ)
    Foto: Bruna Carvalho/CNN