Fiocruz inicia campanha para reverter baixos estoques de leite materno

Quantidade nos bancos de leite tem caído antes do previsto, e fundação pretende atrair mais doações

Quantidade de leite humano coletado e o número de doadoras estão em declínio
Quantidade de leite humano coletado e o número de doadoras estão em declínio Foto: Divulgação/ Ministério da Saúde

Iuri Corsinida CNN

no Rio de Janeiro

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Alimento fundamental para os recém-nascidos, o leite materno está em baixa nos estoques dos Bancos de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), no Rio de Janeiro, e nos bancos de todo o país. A quantidade de leite humano coletado e o número de doadoras estão em declínio. Os dados geraram um alerta por parte da instituição, que lançou um programa para aumentar as doações.

Segundo o IFF/Fiocruz, a queda do estoque costuma acontecer no período de dezembro a fevereiro, já que, devido ao período de festas de fim de ano e férias, muitas doadoras viajam com suas famílias. Neste ano, no entanto, a baixa ocorre antes do esperado.

Os últimos dados apontam que, no Brasil, foram 15,6 mil doadoras em outubro, 1,2 mil a menos que em setembro e 1,5 mil abaixo do nível registrado em agosto. Já em relação à quantidade coletada, foram 19,8 mil litros em outubro. A quantidade ficou 13,3 mil litros abaixo do coletado em setembro e 1,7 mil a menos que o total doado em agosto.

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano integra 223 Bancos de Leite Humano e 211 Postos de Coleta de Leite Humano.

No IFF/Fiocruz, havia 218 doadoras em agosto. Passou para 208 em setembro e caiu ainda mais em outubro, quando chegou a apenas 178 lactantes. O instituto recebeu 325 litros no oitavo mês do ano, 247 no nono, e viu o total cair para 212 no décimo. O número está abaixo do patamar mínimo necessário, de 250 litros.

Abaixo da média

A queda no número de doadoras e de leite doado também foi observada nos estoques do Centro de Referência para Bancos de Leite Humano do IFF/Fiocruz, no Rio de Janeiro. Em outubro deste ano foram 178 doadoras, frente a 208 em setembro e 218 em agosto.

O IFF/Fiocruz recebeu 212 litros de leite materno em outubro, 247 em setembro e 325 em agosto. O número está abaixo da média considerada pela Fiocruz como ideal, que seria de 250 litros em estoque por mês.

A Fiocruz alerta que, especialmente no caso de recém-nascidos prematuros internados em unidades de cuidados intensivos, que não conseguem sugar o leite diretamente do seio materno, a alternativa é justamente receber o leite doado.

Além disso, a instituição destaca que a substância, por conter nutrientes e anticorpos essenciais para o desenvolvimento dos bebês, protege contra alergias e doenças durante a infância e na idade adulta.

Segundo Antônio Meirelles, diretor do IFF/Fiocruz, qualquer excedente de leite já é suficiente para ser doado.

“Nós, pais que temos acompanhado o processo de amamentação dos nossos filhos, sabemos que enquanto a mãe dá o peito para o bebê, no outro peito escorre um pouquinho de leite em forma de gotinhas, e essas gotinhas são suficientes para alimentar e deixar um recém-nascido prematuro satisfeito. É só coletá-las no frasquinho de vidro e refrigerar”, destaca.

Danielle Aparecida da Silva, coordenadora do banco de leite do IFF/Fiocruz, explica como é feito o processo de armazenamento. “Quando o leite chega ao nosso banco, ele passa por um processamento, um controle de qualidade e só então ele vai ser oferecido aos recém-nascidos prematuros internados em uma UTI neonatal e que, por algum motivo, não podem sugar direto no seio materno”, afirma.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que, durante os seis primeiros meses de vida, os bebês sejam alimentados exclusivamente com leite materno. A agência das nações unidas para a saúde espera que, até 2030, 70% da das crianças de todo o mundo se alimentem exclusivamente dessa maneira durante essa etapa da vida.

De acordo com o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani-2019), em novembro, encomendada pelo Ministério da Saúde e coordenada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os níveis dos bancos de leite são tradicional baixa por conta da pequena adesão das lactantes: apenas 4,8% delas aderiram à prática.

A campanha

A campanha “O Melhor Presente” pretende aumentar seus estoques de doações para atender os recém-nascidos internados na Unidade de Terapia (UTI) Neonatal, especialmente durante o período de festas e férias. A coordenadora Danielle Aparecida explica a importância da doação neste período.

“Ao realizar uma doação você presenteia um bebê com saúde, com um alimento adequado e rico em fatores de proteção. Isso irá possibilitar uma alta hospitalar mais precoce e, quem sabe, possibilitar que esse bebê passe o Natal com sua família em casa”, afirma a especialista.

Para doar aos bancos de leite do IFF, basta ser lactante e entrar em contato com o BLH do IFF/Fiocruz pelo WhatsApp: (21) 98508-6576 ou telefone: (21) 2554-1703.

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