Flexibilizar máscara pode diminuir adesão nos locais fechados, alerta infectologista

À CNN, Raquel Stucchi explica que pandemia está recrudescendo em países onde a flexibilização ocorreu de forma precipitada

Produzido por Renata Souza*da CNN

em São Paulo

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Rio de Janeiro, Brasília e Porto Velho são as três primeiras capitais a desobrigarem o uso de máscaras em ambientes abertos. Curitiba também está estudando a possibilidade de flexibilizar o uso do equipamento de proteção contra a Covid-19. As medidas começam a ser relaxadas no momento em que o país registra os índices mais baixos em relação à doença.

Em entrevista à CNN, a infectologista da Unicamp, Raquel Stucchi, disse que o receio dos especialistas, frente a desobrigatoriedade, é o de que as pessoas deixem de usar a EPI em locais fechados ou onde não há distanciamento entre as pessoas.

“Eu acho que essa decisão é precipitada do ponto de vista da cobertura vacinal que nós temos no Brasil. Ela tem muito mais um caráter de fazer um ‘agrado’ na população que está cansada de usar máscara, mas pode fazer com que esta adesão ao uso do equipamento nos locais onde é realmente necessário, diminua.”

Para a infectologista, é preciso avaliar as circunstâncias. “Se eu estou em um lugar aberto, mas num ponto de ônibus onde tem pessoas a 50 centímetros de mim, e que vão falar, vão tossir, então eu tenho que estar de máscara nesse local, mesmo sendo aberto.” Ao passo que, ela complementa: “Se eu estou andando no parque ou no calçadão, não vou parar para conversar com ninguém de pertinho, eu posso estar sem máscara.”

Raquel Stucchi ressalta que em ambientes fechados o uso segue indispensável. “Qualquer lugar fechado, independente do número de pessoas que estão lá dentro, eu tenho que usar máscara e eu tenho que higienizar as mãos.”

Pandemia na Europa

Ela também faz uma panorama da Europa, explicando porque em alguns países as máscaras foram descartadas antes da cobertura vacinal adequada, que, segundo ela, seria em torno de 80 a 85%.

“O que está acontecendo na Europa? A gente tem locais com vacinação baixa. No Leste Europeu, por exemplo, a adesão à vacinação, por vários motivos, ainda está muito baixa. E a decisão de começar a fazer a dose adicional nos idosos, mesmo na Alemanha, no Reino Unido, foi muito demorada. Eles já estão entrando no outono e inverno com maior risco de transmissão sem fazer a dose adicional, então isso colabora para essa explosão de números de casos. E junto com isso, eles liberaram a máscara.”

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