Funcionário de presídio no DF testa positivo para coronavírus

Um policial penal lotado no Complexo Penitenciário da Papuda testou positivo para o novo coronavírus. A Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), vinculada à Secretaria de Segurança do Distrito Federal, recebeu a notificação na quinta-feira (2). O servidor está afastado do trabalho aguardando o resultado da contraprova.
O policial trabalha no Centro de Internamento e Reeducação, um dos presídios do Complexo da Papuda.
A Sesipe diz que tem tomado medidas necessárias para garantir o bem-estar e saúde dos servidores. Segundo a secretaria, há recomendação de liberação de funcionários com sintomas de gripe.
O CIR tem cerca de dois mil detentos, entre eles aqueles que estão em regime semiaberto, mas sem benefício ao trabalho.
Entre as medidas determinadas pela secretaria em meio à pandemia do novo coronavírus está uma triagem pela qual passam os presos recém-chegados às unidades. A Sesipe também estabeleceu uma quarentena de 14 dias aos novos detentos. Somente após este período eles são liberados para a convivência com os demais presos.
Em março, a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal havia estabelecido restrições para a saída de presos. A decisão, proferida em 18 de março, diz que não havia, até então, notícias de contaminação pela covid-19 no sistema penitenciário do Distrito Federal.
Uma nota técnica assinada pelos professores Gustavo Adolfo Sierra Romero e Jaime Martins de Santana, da Universidade de Brasília (UnB), alerta para os riscos de caso a pandemia do novo coronavírus chegue ao sistema penitenciário. Romero é professor de doenças infecciosas da Faculdade de Medicina. Santana é professor de imunologia e parasitologia e diretor do Instituto de Ciências Biológicas.
"O confinamento em celas ou outros espaços superlotados, sem ventilação, e com precárias condições de higiene torna as pessoas privadas de liberdade extremamente vulneráveis à infecção. Esse tipo de ambiente ficam rapidamente contaminados", dizem os professores no estudo. "Por isso, medidas para reduzir o número de pessoas presas têm sido adotadas por vários países como forma de evitar o agravamento desta crise de saúde coletiva. O vírus é altamente infecioso, passando de pessoa para pessoa com muita rapidez", completam.
Os dois professores sugerem "a adoção de medidas para descontenção de pessoas em situação de prisão, ou em outras formas de institucionalização, para garantia da saúde de cada um e cada uma e para manutenção do funcionamento do sistema de saúde do Distrito Federal e consequente diminuição dos casos graves que levam ao óbito". Para eles, assim como os próprios detentos, os profissionais que trabalham nas prisões, bem como suas famílias, estão mais vulneráveis à infecção.