Especialista: Governo precisa garantir plano proposto sobre vacina contra Covid
Uma dose apenas não é suficiente para evitar o desenvolvimento da Covid-19 ressalta o imunologista Edson Teixeira
Pelo menos 13 capitais brasileiras anunciaram paralisação parcial da aplicação da Coronavac por falta de doses nesta semana. Segundo o diretor do Butantan, Dimas Covas, o Instituto não deve ter mais doses a partir do próximo dia 14 de maio. A situação estaria relacionada ao atraso na chegada do IFA, matéria prima essencial para a produção do imunizante, que virá da China.
De acordo com o imunologista Edson Teixeira, o grande problema do atraso é retardar ainda mais a imunização completa dos cidadãos, que só se tornam efetivamente protegidos da Covid-19 duas semanas após a aplicação da segunda dose.
"Pela experiência que temos com outras vacinas, um atraso pequeno de 14 dias, ou mesmo 4 semanas, não interfere diretamente na eficácia global. Entretanto, esse atraso neste momento da pandemia é algo que a gente não precisava. É necessário que o governo mantenha perene a distribuição para que elas sejam aplicadas dentro do esquema vacinal proposto, que no caso da Coronavac, é de 28 dias."
O imunologista afirma que, até o momento, apenas 8% da população brasileira pode ser considerada vacinada contra o novo coronavírus, e que os cuidados, como uso de máscara, distanciamento social e higienização das mãos com álcool gel ou água e sabão, devem ser rigorosamente mantidos, mesmo que o indivíduo já tenha tomado uma dose da vacina.
"Ao tomar a primeira dose, algumas das células imunológicas ganham um longo período de vida. São células de memória, mas elas não são suficientes para evitar o desenvolvimento, até mesmo de doença grave", ressalta.
