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    Homens se tornam 70% mais propensos a morrer após perder a esposa, aponta estudo

    Pesquisa afirma que homens têm maior probabilidade de passar pelo "efeito viuvez", condição que aumenta o risco de morte

    Casamento
    Casamento Getty Images

    Natanael Oliveirada CNN

    A perda do cônjuge é um período delicado e vulnerável para qualquer pessoa. Pesquisas indicam que o período de viuvez pode impactar na saúde durante muitos anos. Estudos demonstraram que o parceiro pode sofrer de distúrbios do sono, episódios depressivos, ansiedade, função imunológica prejudicada e saúde física geral comprometida.

    A saúde de quem está passando pelo luto pode contribuir, inclusive, para uma morte precoce. Esse efeito é tão comum que tem até nome: “Efeito viuvez”.

    Segundo uma pesquisa do Laboratório da Natureza Humana na Universidade de Yale, fatores como a religião e a causa da morte podem contribuir com o óbito precoce do parceiro após a perda do cônjuge.

    Embora a tristeza seja profunda, um estudo publicado nesta quarta-feira (22) na revista de saúde norte-americana PLOS One afirma que os homens correm um risco maior de morrer após perder a parceira.

    Após estudar dados de quase um milhão de cidadãos dinamarqueses casados, os pesquisadores também descobriram que os homens tinha 70% mais chances de morrer do que os que não perderam a parceira. No caso das mulheres, 27% eram mais propensas à morte do que as que não se tornaram viúvas.

    Homem idoso sozinho / Jesus Solana/Getty Images

    Jovens são mais afetados

    Além do gênero, o estudo indicou que pessoas na casa dos 60 anos sofrem com maior probabilidade de morte. Os pesquisadores descobriram que as pessoas nesta faixa etária – a mais jovem analisada pelo estudo – eram as mais propensas ao óbito.

    Em entrevista a revista norte-americana Time, a professora de sociologia da Florida State University, Dawn Carr, se mostrou surpresa com o resultado. “É uma descoberta surpreendente o risco de morte aumentado em uma idade tão jovem”, disse.

    Ao Time, a coordenadora do programa de Gerontologia da Universidade de Utah Kara Dessel, teoriza que “o luto em uma idade menor, já que é incomum perder um cônjuge tão jovem, crie estresse adicional em comparação com pessoas mais velhas, período que a morte é mais esperada”.

    Em relação aos homens serem mais afetados, Carr analisa que “o sexo masculino tende a depender fortemente de suas esposas em casais heterossexuais, para que suas necessidades sociais sejam satisfeitas”.

    A importância da rede de apoio

    Outra descoberta do estudo é a importância de ter um círculo social próximo após a perda do cônjuge. Os pesquisadores mostraram que, apesar do risco de morte aumentar durante o período de luto, a mortalidade diminui nas primeiras semanas.

    O estudo teoriza que o apoio social de familiares e amigos provoca um efeito de acolhimento importante para a saúde mental da pessoa que sofre a perda.

    O resultado depende de diversos fatores

    Os pesquisadores admitem que a conclusão da pesquisa não é garantida em todos os cenários. Eles afirmam que o resultado depende de diversos fatores, como o país, a classe social e até culturas onde o significado de morte é diferente.

    O estudo também avisa que as descobertas não se aplicam a casais homossexuais ou relacionamentos entre pessoas solteiras.