Hospitais e laboratórios restringem testes de coronavírus a grupos de risco

Pacientes com sintomas graves da doença, idosos e pessoas que possuem atestado médico têm prioridade

Homem usa máscara para se proteger do coronavírus em frente do hospital Sancta Maggiore, em São Paulo
Homem usa máscara para se proteger do coronavírus em frente do hospital Sancta Maggiore, em São Paulo Foto: Rahel Patrasso/Reuters

Da CNN Brasil, em São Paulo

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O avanço do novo coronavírus (COVID-19) tem deixado hospitais e laboratórios de todo o mundo sem testes para confirmação da doença. No Brasil, a falta de reagentes e kits importados fez laboratórios cancelarem parte da coleta. “Há uma demanda absurda para esse tipo de teste. Se nós não racionalizarmos, vai acabar faltando kit para quem realmente precisa”, diz Hélio Magarinos, patologista e diretor de laboratório no Rio de Janeiro. 

Em São Paulo, os maiores laboratórios e hospitais suspenderam os exames que detectam o novo coronavírus para grande parte da população. Agora, apenas pacientes com sintomas graves da doença terão acesso aos testes. 

Já as empresas menores e que fazem atendimento domiciliar começaram a priorizar os idosos com mais de 80 anos e pessoas que têm pedido médico. 

Em países como Itália e China, a alta procura de exames tem sendo atendida por meio de testes rápidos, que mostram os resultados em pouquíssimo tempo. Nos Estados Unidos, uma empresa alemã aguarda a autorização da agência reguladora de medicamentos para implementar a tecnologia no país. 

No Brasil, 12 testes importados estão na fila de aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), segundo a câmara que representa os laboratórios. Um deles é fabricado na China e importado por uma empresa brasileira. O resultado fica pronto em dez minutos e, segundo especialistas, 99% dos resultados são emitidos com segurança.

COVID-19 no Brasil

Mais cedo hoje, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, criticou a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que toda a população seja submetida a testes para conter o avanço da pandemia. 

“Do ponto de vista sanitário, é um desperdício de recursos preciosos para as pessoas”, disse. “Uma coisa é ter um país como a Coreia do Sul, que não é muito maior que o Sergipe, a Bahia. É totalmente diferente de um continente como o Brasil. Vamos lutar discutindo com os nossos especialistas”. Para ele, não há kits suficientes no mundo para fazer o teste extensivamente.

O Brasil tem 428 casos confirmados da doença e quatro mortes. Todas elas ocorreram no estado de São Paulo. O número de casos suspeitos chegou a 11.278.

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