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    Importação da Sputnik V foi recusada por ‘precaução’, diz gerente da Anvisa

    À CNN, Gustavo Mendes afirmou que agência não viu 'estudos que mostrem a segurança da vacina' russa

    produzido por Rudá Moreira, da CNN em Brasília

    O gerente-geral de medicamentos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Gustavo Mendes, disse, em entrevista à CNN nesta quarta-feira (28), que a decisão da agência de negar o pedido de importação da Sputnik V se deu pelo “princípio da precaução”.

    “A vacina tem potencial de gerar um adenovírus geneticamente modificado, o qual não conhecemos suas reações no corpo humano e nem seus potenciais riscos. Analisamos dados que recebemos da Rússia e não vimos estudos que mostrem a segurança da vacina. O princípio da precaução foi o que nos levou a não recomendar,” disse Mendes à CNN.

    A decisão da Anvisa de recusar a importação do imunizante foi tomada com a recomendação de rejeição por parte das três gerências técnicas e o voto unânime dos cinco diretores que compõem a Diretoria Colegiada (Dicol).

    O principal ponto citado pelos técnicos da agência foi a identificação do que chamam de “adenovírus replicantes”, vírus que poderiam potencialmente se replicar e atingir órgãos e tecidos do corpo.

    Após a Anvisa recusar o pedido, o presidente do Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), Kirill Dmitriev, negou a existência de adenovírus replicantes, disse que a Sputnik V possui o melhor sistema de filtragem e ocorrência zero de casos de trombose e afirmou que a agência agiu sob uma suposta pressão política dos Estados Unidos.

    À CNN nesta quarta-feira, o gerente-geral defendeu o processo de análise da Anvisa, afirmou que os técnicos responsáveis pelas avaliações realizam estas atividades há anos e disse que a posição dos funcionários da agência é estritamente “técnica”.

    Butanvac

    Gustavo Mendes falou também sobre a Butanvac, vacina brasileira que será produzida pelo Instituto Butantan, que nesta quarta-feira (28) anunciou o início de sua fabricação, mesmo com os testes em humanos não tendo sido iniciados.

    O gerente da Anvisa explicou que a agência já está analisando os dados para que a vacina nacional comece a realizar testes no Brasil. “Recebemos o primeiro pedido de início de testes quando anunciaram a vacina, porém a proposta efetiva, com detalhes técnicos da proposta, chegou apenas na sexta-feira (23). Já começamos a analisar o pedido e já emitimos exigências de coisas que não ficaram claras para nós.”

    Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos da Anvisa (28.abr.2021)
    Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos da Anvisa (28.abr.2021)
    Foto: Reprodução/CNN