‘Incentiva a pessoa a encontrar o vírus’, dizem especialistas sobre celebrações

Ex-presidente da Anvisa Dirceu Barbano e infectologista Álvaro da Costa analisam que circulação da Covid está alta e medidas de isolamento são imprescindíveis

Produzido por Layane Serrano e Renata Souza

Da CNN, em São Paulo

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O Brasil registrou mais de 19 mil mortes por Covid-19 nos últimos sete dias. Foi a semana mais letal desde o começo da pandemia em 2020. Até aqui, 24 milhões de doses de vacina foram aplicadas, isso significa que menos de 3% da população recebeu a segunda dose e está imunizada.

Em entrevista para a CNN neste domingo, o farmacêutico e ex-presidente da Anvisa Dirceu Barbano disse que praticamente todos os doentes tiveram contato com alguém que estava transmitindo o novo coronavírus e a possibilidade de se infectar por superfícies e objetos é mais remota. Portanto, a regra de se isolar é imprescindível, principalmente durante as celebrações.

“A decisão de encontrar pessoas que não convivem diariamente com você é uma decisão de encontrar o vírus. O incentivo às pessoas se encontrarem, seja em cultos religiosos, nos encontros familiares ou em qualquer outro lugar, é um incentivo às pessoas a encontrarem o vírus”, afirma.

Também em entrevista à CNN, o infectologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, Álvaro da Costa, enfatizou que mesmo as pessoas que receberam as doses da vacina contra a Covid-19 precisam seguir as medidas de restrição. 

“Estamos longe de estar em uma situação confortável em relação à circulação viral, então fica esta dica mesmo para quem foi vacinado ou tomou uma dose só, de manter as medidas de restrição e usar a máscara”, explicou Costa.

Colaboração

Dirceu chama a atenção para a importância de cada um colaborar para que as medidas restritivas tenham efeito positivo na sociedade como um todo.

“Nós estamos em um momento de uma tragédia, de quase colapso total do sistema de saúde. A contribuição de cada um de nós é pedir às pessoas que elas se mantenham afastadas e precisamos entender que nossa decisão individual é o que pode nos proteger e proteger as pessoas que amamos, que são nossos familiares e amigos.”

Para Costa, por mais que as tecnologias de vacina adotadas no Brasil impeçam casos graves da Covid-19, ainda é preciso muita gente ser vacinada para que os resultados se tornem visíveis.

“À medida que a gente consiga uma expansão desta cobertura vacinal, que outras tecnologias efetivamente cheguem ao Brasil e a gente ultrapasse 60% ou 70% da população vacinada, a gente passa a ter um cenário mais favorável”, disse o infectologista.

“Para que ele seja perceptível nós vamos ter que conseguir vacinar pelo menos estes grupos prioritários: pessoas com mais de 60 anos, grupos mais vulneráveis e aqueles que por conta do trabalho, como os professores e as forças de segurança, se expõem mais ao vírus. Quando a gente alcançar este público inteiro certamente teremos uma visão mais clara da queda no número de internações e de mortes”, complementou o ex-presidente da Anvisa.

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