Indústria do tabaco mata 8 milhões de pessoas anualmente, diz OMS

Custos de limpeza com o descarte de produtos de tabaco chega a cerca de R$ 940 milhões a cada ano para o Brasil, segundo levantamento

OMS defende que os custos de limpeza de produtos de tabaco jogados no lixo recaem sobre os contribuintes
OMS defende que os custos de limpeza de produtos de tabaco jogados no lixo recaem sobre os contribuintes Bloomberg Creative/Getty Images

Lucas Rochada CNN

em São Paulo

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Todos os anos a indústria do tabaco custa ao mundo mais de 8 milhões de vidas, 600 milhões de árvores, 200.000 hectares de terra, 22 bilhões de toneladas de água e 84 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2).

Os dados alarmantes foram divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira (30), véspera do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio. No alerta, a OMS revela até que ponto o tabaco prejudica tanto o meio ambiente quanto a saúde humana e pede medidas para responsabilizar a indústria pelos danos causados a nível global.

De acordo com a OMS, a maior parte do tabaco é cultivada em países de baixa e média renda, onde água e terras agrícolas são necessárias para a produção de alimentos. No entanto, as áreas estão sendo usadas ​​para cultivar folhas de tabaco.

As informações constam no relatório da OMS “Tobacco: Poisoning our planet” (Tabaco: Envenenando nosso planeta, em tradução livre). O documento destaca que a pegada de carbono da indústria do tabaco – da produção, processamento ao transporte, é equivalente a um quinto do CO2 produzido pela indústria aérea comercial a cada ano, contribuindo ainda mais para o aquecimento global.

“Os produtos do tabaco estão entre os itens que mais poluem o planeta, contendo mais de 7 mil produtos químicos tóxicos, que se infiltram em nosso meio ambiente quando descartados. Cerca de 4,5 trilhões de filtros de cigarro poluem nossos oceanos, rios, calçadas, parques, solo e praias todos os anos”, disse Ruediger Krech, diretor de Promoção da Saúde da OMS, em comunicado.

Produtos como cigarros, tabaco sem fumaça e cigarros eletrônicos também contribuem para o acúmulo de poluição plástica. Os filtros de cigarro contêm microplásticos e constituem a segunda maior forma de poluição plástica em todo o mundo, segundo a OMS.

De acordo com a OMS, não há evidências de que os filtros tenham benefícios comprovados para a saúde. Por isso, a entidade pede que os formuladores de políticas públicas considerem a proibição de filtros de cigarro para proteger a saúde pública e o meio ambiente.

Custos aos países

A OMS defende que os custos de limpeza de produtos de tabaco jogados no lixo recaem sobre os contribuintes, e não sobre a indústria.

A cada ano, o problema chega ao custo de US$ 200 milhões (cerca de R$ 940 milhões) para Brasil e Alemanha. Para a China, os gastos chegam a cerca de US$ 2,6 bilhões (aproximadamente de R$ 12 bilhões) e, para a Índia, o custo é de cerca de US$ 766 milhões (em torno de R$ 3,6 bilhões).

A OMS estimula que os governos e gestores públicos sigam os exemplos de países como a França e a Espanha e a cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, que implementaram medidas com o objetivo de responsabilizar a indústria do tabaco pela limpeza da poluição gerada.

Além disso, a OMS destaca a necessidade de apoio a mudanças na produção do tabaco para culturas sustentáveis, a implementação de impostos mais significativos sobre o tabaco e o oferecimento de serviços de apoio para ajudar as pessoas que decidem parar de fumar.

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