Infectologista aponta riscos de resultados errados em autoteste da Covid-19

Renato Kfouri alerta para a possibilidade de falso positivo ou falso negativo caso os testes sejam feitos de maneira equivocada

Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)
Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) Reprodução/CNN

Douglas Portoda CNN

em São Paulo

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O infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), analisou, nesta segunda-feira (10), em entrevista à CNN, que os riscos dos autotestes para a detecção da Covid-19 estão baseados na interpretação equivocada dos resultados.

O Ministério da Saúde deseja que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorize o uso da testagem individual. Segundo informações do secretário-executivo da pasta, Rodrigo Cruz, à CNNa solicitação será enviada entre esta quarta-feira (12) ou na quinta-feira (13).

“As pessoas podem achar que estão com a doença e não estão. Ou acha que o resultado deu um falso negativo. Não é simples as vezes interpretar esses testes, especialmente se eles não forem colhidos de maneira adequada”, observou Kfouri.

“Muito do resultado do teste é dependente de como é feita a coleta, se é salivar, nasal ou da garganta. Se a pessoa não colhe direito, pode achar que está negativo e sair transmitindo por aí. Ou ao contrário, ela pode ter um falso positivo e interpretar errado”, continuou.

Atualmente está em vigor uma resolução da Anvisa que proíbe o uso de autotestes para detecção de Covid-19 em casa. Entretanto, em comunicado divulgado em 7 de janeiro, a agência afirma que a adoção do autoteste só poderá ser feita “caso haja uma política de saúde pública e estratégia de ação estabelecida pelo Ministério da Saúde.”

Para Kfouri, não é possível que o autoteste seja estabelecido como política pública no Brasil. Em sua opinião, a testagem realizada em casa ficará restrita a um pequeno público, que possui mais recursos financeiros, e conseguirá fazer a vigilância em saúde individualmente.

“Política pública no país eu acho muito complicado, porque não conseguimos nem testar nossos sintomáticos adequadamente, com teste rápido. Não conseguimos rastrear todos os nossos contatos ou dos casos positivos. ‘Quiçá’ distribuir testes para a população gratuitamente em grandes quantidades em um país tão diverso quanto o nosso”, observou.

 

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