Infectologistas pedem lockdown no RS para evitar colapso da saúde por Covid-19

O governador Eduardo Leite disse que o estado não tem medo de optar pelo lockdown, mas que neste momento seria um "sacrifício maior que o necessário"

Profissional da saúde em hospital de Porto Alegre (RS) em meio à pandemia de coronavírus
Profissional da saúde em hospital de Porto Alegre (RS) em meio à pandemia de coronavírus Foto: Diego Vara - 17.abr.2020/Reuters

Bruna Ostermann, da CNN em Porto Alegre

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Em nota enviada para a Secretaria Estadual de Saúde, a Sociedade Riograndense de Infectologia destaca o crescimento acelerado da Covid-19 no estado e afirma que as medidas adotadas até o momento serão insuficientes para conter a doença, que está evoluindo e pode comprometer o atendimento de pacientes. 

De acordo com o presidente da entidade, Alexandre Vargas Schwarzbold, “o lockdown [confinamento] é a única maneira de mudar a direção da curva de forma mais rápida (e isso não significa que seja ‘rápido’) e antes do colapso do sistema de saúde”.

No entanto, o médico admite que é preciso preparar a sociedade para a medida. “Principalmente na questão de assistência às populações vulneráveis, mas de forma geral também. O alerta foi no sentido de nos prepararmos enquanto sociedade e governos para o confinamento”. 

A cada dia, o Rio Grande do Sul se depara com números mais altos relacionados à doença. Nesta segunda-feira (13), o estado chegou a 39.656 casos e 995 mortes em razão do novo coronavírus. A taxa de ocupação de leitos está em 73,6% nos hospitais gaúchos. O que chama a atenção é o percentual de pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19: 42,6%.

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Em Porto Alegre, 85,7% dos leitos de UTI estão ocupados. Em outras cidades e áreas da Região Metropolitana, a situação é ainda pior, e alcança quase 90%. Desde o início da pandemia, houve incremento de 75% no número de leitos de tratamento intensivo no Sistema Único de Saúde, de acordo com o governo estadual.

Questionado sobre o alerta da Sociedade de Infectologia, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), disse que o estado só vai partir para “medidas mais restritivas à circulação de pessoas quando isso se apresentar como inevitável”, mas que não deixará de tomá-las “quando se fizerem necessárias.”

“Não temos medo de optar pelo lockdown, mas não o faremos, visto que estaríamos impondo um sacrifício maior do que o necessário aos gaúchos e gaúchas, que perderão muito se chegarmos a esse ponto”, afirmou o governador. 

Nesta segunda-feira (13), Leite anunciou que 10 regiões estão com alto risco de contaminação pela doença e alta demanda no sistema de saúde e, por isso, devem fechar comércios e serviços não essenciais. As medidas fazem parte do plano de distanciamento controlado, que tem o momento mais restritivo até agora, e atinge 286 municípios e 73% da população.

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