Inovações contra câncer crescem, mas acesso a diagnóstico ainda é desafio

Dia Mundial da Luta contra o Câncer é comemorado nesta quarta-feira (8)

Giu Aya, da CNN Brasil
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O câncer passou por transformações importantes nas últimas décadas, com avanços expressivos tanto no diagnóstico quanto no tratamento. Essas mudanças aumentaram significativamente as chances de controle da doença e de sobrevida dos pacientes.

Apesar disso, um dos principais problemas persiste: muitos casos ainda são diagnosticados tardiamente, o que compromete os resultados do tratamento.

O Dia Mundial do Combate ao Câncer reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso igualitário à saúde. Dados globais indicam que uma parcela significativa dos casos poderia ser evitada com mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e redução de fatores de risco.

No entanto, hábitos prejudiciais continuam em alta, enquanto a adesão a exames preventivos ainda é insuficiente em diversas regiões.

Entre as principais inovações, a inteligência artificial tem se destacado como uma ferramenta promissora para o diagnóstico precoce. “Ela pode revolucionar esse diagnóstico ao analisar imagens médicas com precisão superior ao olho humano”, diz Denis Jardim, oncologista da Oncoclínicas.

Segundo o oncologista, os algoritmos conseguem identificar padrões muito sutis em exames, como pequenos nódulos ou lesões iniciais, aumentando a chance de detecção precoce e reduzindo erros. Além disso, a tecnologia torna o processo mais rápido e pode ampliar o acesso em locais com poucos especialistas, embora ainda dependa da integração com a análise clínica feita por médicos.

Outro avanço importante está nos métodos menos invasivos de diagnóstico. Testes como a biópsia líquida permitem identificar sinais de câncer por meio de exames de sangue, detectando fragmentos de DNA tumoral. Essa abordagem tende a reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos e deve ganhar espaço tanto no diagnóstico quanto no rastreamento da doença.

Na área cirúrgica, a robótica e a telecirurgia começam a abrir novas possibilidades. Essas técnicas permitem maior precisão e, em alguns casos, recuperação mais rápida dos pacientes.

Denis explicou que, embora os benefícios existam, o acesso ainda é limitado devido ao alto custo e à necessidade de treinamento especializado. Ele destacou que iniciativas como cirurgias remotas e centros de capacitação podem, no futuro, ampliar o alcance dessas tecnologias, especialmente em regiões mais distantes.

Os tratamentos também evoluíram de forma significativa. Terapias inovadoras, como imunoterapia e medicamentos de alvo molecular, têm mudado o prognóstico de diversos tipos de câncer. De acordo com o especialista, essas abordagens possibilitaram resultados mais eficazes e, em alguns casos, até a cura de pacientes com doença avançada. Novas estratégias, como terapias celulares e anticorpos específicos, também vêm sendo incorporadas com resultados promissores.

Mesmo com esse cenário positivo, os desafios continuam grandes. O envelhecimento da população contribui para o aumento da incidência da doença, enquanto fatores como obesidade e sedentarismo seguem em crescimento. Ao mesmo tempo, desigualdades regionais dificultam o acesso ao diagnóstico e à prevenção, especialmente em áreas com menos recursos.