Inscrições para testes de vacina chinesa começam no dia 13 no Brasil, diz Doria

De acordo com o governador de São Paulo, vacina será testada em 9 mil voluntários, todos da área de saúde, em 5 estados: SP, RJ, MG, PR, RS e no DF

Murillo Ferrari,

da CNN, em São Paulo

Ouvir notícia

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) anunciou que as inscrições para os testes da CoronaVac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, serão realizada a partir da próxima segunda-feira (13).

Em pronunciamento no Palácio dos Bandeirantes nesta segunda (6), Doria afirmou que essa etapa se tornou possível após o Instituto receber autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

“A inscrição será obrigatoriamente para profissionais de saúde, médicos, paramédicos, enfermeiros que estão atuando ou já atuaram – e possuem diploma comprovatório”, disse Doria.

O governador explicou que a testagem propriamente dita começa uma semana depois, no dia 20 de julho. “Quero lembrar que a vacina será testada em 9 mil voluntários da área de saúde em seis estados brasileiros: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná.”

Assista e leia também:

Diretor do Butantan: vacina pode controlar Covid-19, mas não impedir circulação

Vacina pode ficar pronta em alguns meses, diz diretor de laboratório chinês

De acordo com Doria, os primeiros lotes da vacina, importados da China, chegam ao país na próxima semana e serão distribuídos aos centros de pesquisa – se for aprovada, ela deve ter produção nacional em 2021.

“Essa é uma etapa de fundamental importância na vida do país e na vida e na saúde de milhões de brasileiros. Toda a pesquisa clínica será coordenada pelo Instituto Butantan, um dos maiores centros de pesquisa do mundo”, afirmou Doria.

O governador disse ainda que torce para que a vacina de Oxford, que também está sendo testada no Brasil, produza resultado e possa também ser fabricada no país “para termos duas vacinas em condições de imunização de milhões de brasileiros no menos tempo possível”.

Detalhes da pesquisa

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, explicou que as inscrições dos voluntários no teste serão feitas por meio de um aplicativo de celular, que será disponibilizado na próxima semana.

“A pessoa preenche esse primeiro cadastramento onde será possível identificar se ela está dentro dos critérios ou não. Tem que concordar em comparecer periodicamente ao centro [de pesquisa] para ter um exame clínico e a retirada de sangue para poder ser avaliado”, disse.

Covas afirmou que a fase 3 de testes custará cerca de R$ 85 milhões e será paga integralmente pelo governo de São Paulo. Ele disse ainda que a propriedade do estudo é do Instituto e, que, por isso, se fala em codesenvolvimento com a Sinovac.

CoronaVac será testada no Brasil a partir de 20/7 em seis estados
A CoronaVac, vacina produzida por laboratório chinês e com parceria do Instituto Butantan, será testada no Brasil a partir de 20/7
Foto: Reprodução/ GovernoSP

Entre os critérios para poder participar dos testes, o médico afirmou que o voluntário deve ter mais de 18 anos, não ter sido infectado previamente com a Covid-19 e não ter outras doenças. A mulher não pode estar grávida ou planejar engravidar em um futuro próximo.

Ele disse que a escolha por profissionais de saúde se deu pelo fato deles serem os mais expostos à doença, o que permitirá desenvolver muito rapidamente o estudo clínico.

Produção da vacina

Covas informou que existe uma fábrica do Butantan que está sendo adaptada para a produção da CoronaVac. “Poderemos chegar a [produção de] 100 milhões de doses nesta fábrica”, disse. Ele afirmou que já está em andamento a discussão com o laboratório chinês sobre a transferência de tecnologia ao país.

Ele detalhou ainda o acordo feito entre o Butantan e a Sinovac caso os testes da fase 3 sejam bem sucedidos. “Temos um acordo preliminar de acesso, até o final deste ano, de 60 milhões de doses. Se a vacina for efetiva, teremos acesso a 60 milhões de doses.”

Redução de mortes

Doria informou também que o estado registrou uma pequena redução no número de mortos na última semana em comparação com os sete dias anteriores. Entre 28 de junho e 4 de julho foram 1.733. Na semana anterior, 1.769 pessoas morreram de Covid-19 em São Paulo, uma diferença de 36 óbitos.

“Nessa última semana, atingimos 5% de letalidade em relação ao número de casos do coronavírus. É o índice mais baixo de toda a série histórica. São boas notícias, mas não devem ser celebradas com emoção, mas sim, com moderação para mantermos o foco nas medidas de controle da pandemia, no aumento da capacidade de atendimento do sistema de saúde em todo o estado de SP, na obrigatoriedade do uso de máscara e no distanciamento social.”

De acordo com dados apresentados pelo governo, o estado de São Paulo registra, até o momento, 323.070 infectados e 16.134 mortos pela Covid-19.

Mais Recentes da CNN