Intercambialidade de vacinas é possível com aval da ciência, diz Queiroga

Ministro da Saúde diz que mistura de imunizantes contra o novo coronavírus só é indicada para gestantes, mas não descarta ampliar esse tipo de uso no país

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
Ministro Marcelo Queiroga (C) visita programa piloto de testagem contra Covid-19
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em visita ao programa piloto de testagem contra Covid-19  • Foto: Reprodução/minsaude/Twitter (14.ago.2021)
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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou neste sábado (14) que a intercambialidade de vacinas contras a Covid-19 é viável e pode ser adotada de forma mais ampla no país, desde que haja aval da ciência.

“Desde que a ciência nos autorize a fazer a intercambialidade de maneira mais ampla, faremos”, afirmou Queiroga durante visita ao programa piloto de testagem contra o novo coronavírus em Brasília. O ministro ressaltou, porém, que no momento essa abordagem só é indicada para gestantes.

“Intercambialidade, há orientação para as gestantes, por segurança orientamos a intercambialidade. Nesse sentido, isso é um dos exemplos da conduta acertada do Ministério da Saúde, que fez um documento tecnológico para produzir essa vacina com IFA [Ingrediente Farmacêutico Ativo] nacional”, continuou o ministro.

Queiroga também afirmou que “não será bom” se os municípios criarem um sistema próprio para a alocação dos imunizantes. “Tem que se seguir as orientações do Ministério da Saúde.”

Nesta semana, contrariando recomendações da pasta, a prefeitura de Niterói, no Rio de Janeiro, começou a aplicar a vacina da Pfizer como segunda dose para as pessoas que apresentaram reação adversa à vacina da AstraZeneca/Fiocruz. 

Desde julho, por recomendação da secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, as grávidas que receberam a primeira dose da vacina AstraZeneca podem receber a segunda dose com Pfizer ou Coronavac.

O processo de intercambialidade de vacinas também pode ser feito em pessoas que tiveram reações alérgicas ou que precisem terminar o esquema vacinal e não há doses do mesmo fabricante disponíveis.

Esse processo é regulamentado por uma nota técnica editada no fim daquele mês e que estabeleceu orientações aos municípios sobre os casos de intercambialidade das vacinas contra Covid-19.

Veja imagens da vacinação contra Covid-19 no Brasil e no mundo:

Segundo o documento, essa mistura de imunizantes não deve acontecer de forma indiscriminada “por falta de estudos de eficácia/efetividade e segurança em larga escala”. 

No entanto, em situações de exceção, a pasta diz que pode ser administrada uma vacina contra o novo coronavírus de fabricante diferente do usado na primeira dose.

Um exemplo em que esse uso é autorizado pelo governo é no caso de mulheres grávidas ou no puerpério (até 45 dias após o parto) que, ao receber a segunda dose, devem ser ofertadas, preferencialmente, a vacina da Pfizer.

“Caso este imunizante não esteja disponível na localidade, poderá ser utilizada a vacina Sinovac/Butantan”, diz o documento, ressaltando que pessoas que receberem vacina no esquema de intercambialidade “deverão ser orientadas a respeito das limitações referentes aos dados existentes e do perfil de risco-benefício”.

(Com informações de Neila Guimarães, da CNN, em Brasília)