Internações entre idosos voltam a subir no estado do Rio após 4 meses de queda

Maior preocupação continua sendo com a faixa etária a partir de 80 anos

Isabelle Resende, da CNN, no Rio de Janeiro

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Após quatro meses de queda, o número de hospitalizações de idosos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG por Covid-19) vem aumentando no estado do Rio de Janeiro. É o que aponta um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ainda em fase de conclusão, divulgado na terça-feira (03).  

A análise indica que, apesar do aumento, as faixas de 60 a 69 anos e 70 a 79 anos continuam em uma situação bem melhor do que a apresentada em picos anteriores. A maior preocupação continua sendo com a população acima de 80 anos. As projeções são realizadas com base no Sistema de Informações de Vigilância Epidemiológica da Fiocruz (Sivep-Gripe), do Ministério da Saúde. 

Segundo o levantamento, esses idosos acima de 80 anos já completaram o esquema vacinal, mas a efetividade da vacina cai porque há maior perda de imunidade devido à idade avançada e a fatores de risco, como doenças cardíacas, diabetes e outras comorbidades.  

O infectologista e pesquisador da Fiocruz, Julio Croda, ressalta que com o avanço da variante Delta, que é mais transmissível, será necessária a aplicação de uma terceira dose da vacina para a população mais idosa e também para pessoas imunossuprimidas.  

“O papel da vacina é reduzir o agravamento da doença e não eliminá-la. Todas as vacinas disponíveis no Brasil cumprem muito bem esse papel. À medida que mais pessoas forem sendo vacinadas, com as duas doses, maior as chances de diminuir os casos de hospitalização e de mortes. 

Porém, com o surgimento de novas variantes, a efetividade da vacina pode diminuir, especialmente na população mais vulnerável e tudo indica que seja necessário a aplicação de uma terceira dose especialmente nos idosos, imunossuprimidos e profissionais de saúde, pelo risco de exposição. Temos que aguardar e monitorar os novos estudos para saber em que momento será indicado essa dose de reforço – explicou o especialista.   

Na semana passada, o Ministério da Saúde anunciou que vai iniciar um estudo inédito para avaliar a necessidade de uma terceira dose de vacinas para Covid-19 para quem tomou a Coronavac. A pesquisa, que será realizada em parceria com a Universidade de Oxford, deve começar na próxima semana. 

O estudo também vai verificar a intercambialidade da Coronavac com outros imunizantes disponíveis para a população brasileira.Haverá a condução da professora da Universidade de Oxford, a brasileira Sue Ann Clemens. O objetivo do estudo é produzir dados para que o Ministério da Saúde possa implementar uma nova estratégia de vacinação, caso seja necessária, ainda no final deste ano.

Para isso, a pesquisa ranalisará 1,2 mil participantes voluntários, incluindo as quatro vacinas já disponíveis no país. Os participantes precisam ser maiores de 18 anos e devem ter recebido duas doses da vacina há, pelo menos, seis meses.

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