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    Intervalo mais curto entre doses pode ser necessário para conter a variante Delta

    Estudo realizado com modelo matemático estima que a redução do intervalo entre a primeira e a segunda dose da AstraZeneca para oito semanas pode favorecer o controle da pandemia

    Doses da vacina contra Covid-19 da Astrazeneca em Santa Maria (RS)
    Doses da vacina contra Covid-19 da Astrazeneca em Santa Maria (RS) ESTADÃO CONTEÚDO

    Lucas Rochada CNN

    São Paulo

    Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros sugere que a redução no intervalo da vacina da AstraZeneca pode trazer benefícios e mitigar os impactos da variante Delta no país. Segundo a pesquisa, publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o intervalo entre as duas doses da vacina precisa ser menor que 12 semanas para o controle efetivo da pandemia.

    Os dados foram obtidos por meio de modelos matemáticos que utilizaram resultados preliminares de eficácia da vacina produzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) contra a variante Delta. A análise indica que vacinas com eficácia inferior a 50% com apenas a primeira dose precisam de intervalos menores em relação aos imunizantes com taxas de eficácia maiores.

    Os resultados são processados pelo modelo computacional com a utilização de algoritmos que consideram estudos sobre a eficácia do imunizante contra a variante Delta, a internação em leitos de terapia intensiva e a adoção do distanciamento social. Para vacinas com eficácia da primeira dose igual ou abaixo de 50% no bloqueio da infecção, o estudo sugere um intervalo de 8 semanas. Já para os imunizantes que contam com uma eficácia igual ou superior a 70% para a redução de casos graves e hospitalizações com a aplicação da primeira dose, o prazo entre as duas doses pode ser estendido para 12 semanas.

    Segundo o estudo, a decisão sobre o espaçamento entre as doses deve considerar questões como a proteção induzida por apenas uma dose, a quantidade de vacinas disponíveis e a circulação de linhagens mais contagiosas da Covid-19. A metodologia pode ser aplicada em diferentes países, considerando distintos contextos epidemiológicos.

    O modelo foi desenvolvido pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), com a participação de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Universidade de São Paulo (USP).

    Com o objetivo de frear o avanço da pandemia e garantir que o maior número de pessoas fosse vacinado com a primeira dose dos imunizantes contra a Covid-19, o Ministério da Saúde estabeleceu longos intervalos para a aplicação das doses das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca no Brasil. A medida considerou os estudos de eficácia que apontaram o desenvolvimento de uma imunidade robusta com o espaçamento de 12 semanas (três meses) entre a primeira e a segunda dose.

    No entanto, a introdução da variante Delta altamente contagiosa no cenário epidemiológico aumentou as discussões sobre a redução do intervalo entre as doses. Garantir que um maior número de indivíduos recebesse as duas doses, completando o esquema vacinal mais rapidamente, seria uma estratégia para barrar o avanço da variante Delta, que já se tornou predominante em países como os Estados Unidos e o Reino Unido.