Lesão muscular: como acontece, quais os graus e como tratar
Lesão de grau 2 de Neymar preocupa torcedores sobre desempenho na Copa do Mundo

Dias antes do início da Copa do Mundo, Neymar confirmou uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha direita, que ameaça o desempenho do jogador na Seleção Brasileira e preocupa os torcedores.
A avaliação inicial apontava um edema de cerca de dois milímetros, considerado leve. E, embora o resultado de novos exames aponte para uma lesão mais grave, a CBF ainda trabalha com um prazo de duas a três semanas para o retorno do jogador aos treinos.
Lesões musculares são o tipo mais comum no esporte e ocorrem quando há ruptura das fibras devido a estresse mecânico excessivo. Esse tipo de problema afeta o sistema músculo-esquelético, que representa cerca de 45% do peso corporal, e pode surgir por diferentes mecanismos.
O médico Moises Cohen, ortopedista do Einstein Hospital Israelita, explicou à CNN Brasil sobre os diferentes tipos de lesão muscular.
Como ocorre
O mais frequente é o estiramento excessivo, considerado indireto, quando o músculo é alongado além do seu limite elástico — especialmente durante contrações excêntricas, como em arrancadas, saltos e chutes.
De acordo com o especialista, também há casos por contusão direta, comuns em esportes de contato, e situações associadas à fadiga muscular, que aumentam o risco principalmente no fim das partidas.
Alguns grupos musculares são mais vulneráveis, como os isquiotibiais, na parte posterior da coxa, por atravessarem duas articulações e serem exigidos em sprints; o quadríceps, submetido a fortes contrações em chutes e saltos; e a panturrilha, essencial na propulsão.
A recorrência dessas lesões é considerada alta. Entre os fatores estão a formação de tecido cicatricial menos elástico, alterações biomecânicas após lesões anteriores, retorno precoce às atividades e até aspectos psicológicos, como o receio de movimento.
Quais os graus
A classificação tradicional divide as lesões em três níveis. “As lesões musculares são classificadas em três graus principais, de acordo com a gravidade de lesão das fibras musculares", diz Moises Cohen.
O grau um, também chamado de lesão leve, ocorre quando há um estiramento do músculo com ruptura de menos de cinco por cento das fibras musculares. O paciente sente dor leve e apresenta pequeno edema. A recuperação leva aproximadamente uma a duas semanas.
O grau dois, denominado lesão moderada, acontece quando há ruptura parcial do músculo, comprometendo entre cinco e cinquenta por cento das fibras. A dor é moderada, há perda de força e geralmente aparece um hematoma. O tempo de recuperação varia de três a seis semanas.
O grau três, considerado lesão grave, corresponde à ruptura completa do músculo, acima de cinquenta por cento das fibras. Há dor intensa, incapacidade funcional e frequentemente um defeito palpável na belly muscular. A recuperação pode levar de dois a três meses.
Já o Sistema BAMIC (British Athletics) utiliza cinco graus principais, classificados com base em achados de ressonância magnética.
Tratamento
O tratamento varia conforme a gravidade e a localização da lesão. “O tratamento vai muito da lesão. Existe hoje a possibilidade de se utilizar a infiltração com PRP, células-tronco, eventualmente em uma lesão muscular. E nos casos mais graves, principalmente quando são mais próximos do tendão, aí são de indicação cirúrgica", explica Moises Cohen.
"Então depende muito da gravidade, da localização e, obviamente, da atividade, do autorrendimento. Se a lesão for junto, próximo do osso ou do tendão, aí a fixação cirúrgica é melhor. Agora, se for mais por meio da musculatura, a transição com músculo, talvez possa optar pelo tratamento conservador, ingerindo essas drogas autoimunes e fisioterapia", completa.
Medidas preventivas incluem fortalecimento muscular, aquecimento adequado, progressão gradual de carga, descanso e avaliação neuromuscular.


