Maia diz a Pazuello que governo teve ‘problema de comunicação’ sobre dados

"O que nós todos, o que os brasileiros querem, é transparência na divulgação dos dados", disse o presidente da Câmara

Noeli Menezes, da CNN em Brasília

Ouvir notícia

Diante do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira (9) que houve um “problema claro de comunicação do governo com a sociedade, com os governadores, prefeitos e com o Parlamento”, quando o Ministério da Saúde decidiu mudar o formato de divulgação de dados da Covid-19 sem explicar que a intenção era supostamente deixar a plataforma de apresentação das informações mais transparente e amigável para gestores.

“O que nós todos, o que os brasileiros querem, é transparência na divulgação dos dados. O que ocorreu nos últimos dias foi o contrário, do ponto de vista do diálogo do governo com o Parlamento e com a sociedade”, disse Maia.

Maia fez o comentário durante audiência na comissão externa da Câmara para ações de enfrentamento ao novo coronavírus. Na reunião, Pazuello defendeu as mudanças e afirmou que antes o país “estava somando informações não somáveis”.

“A gente estava tendo dados simplórios. Os números não podem ser simplórios quando se fala de Brasil”, disse o ministro.

Leia também:

Tabela simples com acumulado de mortos não era ‘informação digna’, diz Pazuello

‘Não houve mortes por falta de atendimento’, diz Bolsonaro sobre Covid-19

OMS: transmissão de Covid-19 por pacientes assintomáticos está acontecendo

Segundo Pazuello, a pasta passou 20 dias empenhada em reunir as informações, que agora são “plenas, transparentes e em tempo real”.

“O resto é fake”, afirmou o ministro interino.

Para o presidente da Câmara, no entanto, “o que nós vivemos nos últimos dias, inclusive com aquela entrevista do ex-futuro não mais secretário do governo [Carlos Wizard], foi lastimável para todos nós.”

“Chegamos ao dia de hoje com o Parlamento trabalhando para organizar os dados, com o TCU [Tribunal de Contas da União] trabalhando para organizar os dados, com o Supremo [Tribunal Federal] dando uma liminar para que o senhor reproduza o banco de dados que vinha sendo usado desde a gestão de [Luiz Henrique] Mandetta”, disse Maia.

Pazuello rechaçou a ideia de que tenha havido falha de comunicação. “Não acredito que todo esse ruído foi apenas comunicação. Nada na vida é fator de uma condicionante. São várias condicionantes que fazem uma resultante. Estávamos fazendo mudanças no processo. O modelo anterior nunca me agradou. Os dados somados simples não eram suficientes para os gestores.”

O ministro reconheceu, porém, que a nova plataforma ainda não está concluída e que apenas dois gráficos estão disponíveis, de óbitos e de casos. “Vou tentar fazer algo mais rápido. Vou colocar o resumo antigo e ir atualizando para ter uma resposta imediata.”

Disse ainda que não consegue precisar um “momento exato” para o novo sistema estar em pleno funcionamento. “Está pronto, mas o acesso aos dados não é algo simples, demora pelo menos 48 horas.”

Pazuello negou desconfiar das informações enviadas ao Ministério da Saúde. “Não acho que estados e municípios mandem dados errados em hipótese alguma. São os dados que eles têm. Mas não eram dados fidedignos para minha própria visão de análise.”

Mais Recentes da CNN