Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    ‘Maio será o mês mais agudo da COVID-19’, prevê secretário de saúde de São Paulo

    Edson Aparecido cita avanço dos números na capital paulista e descarta flexibilização da quarentena após 11 de maio

    Da CNN, em São Paulo

    O secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, falou à CNN neste domingo (3) sobre a flexibilização ou não da quarentena por conta da pandemia do novo coronavírus. Ele adianta quais os próximos passos que devem ser dados, visto o avanço da COVID-19.

    “Se conseguirmos manter o isolamento social em 55%, 60% na região metropolitana, teremos como em maio preparar o sistema de saúde. Se os níveis de adesão ao isolamento não avançarem, teremos um problema. Os números são preocupantes. Não é momento para que a gente faça qualquer tipo de relaxamento, nós precisamos da compreensão e solidariedade da população. O significado do isolamento hoje é salvar vidas. O momento mais agudo da doença, tudo indica, será o mês de maio”, prevê.

    Imaginar que a vida volte ao normal a partir de 11 de maio é um sonho distante, opina. “Com os números de hoje, pensar nesse momento em flexibilização é muito difícil. É muito claro que entramos agora no mês de maio, não só em São Paulo como no país, em uma ascendência muito grande da doença como um todo  Estamos entrando em um mês muito difícil, o mês de maio é extremamente desafiador para todo o sistema no Brasil. A tendência é esse quadro se agravar e o isolamento é para que tenhamos um pouco mais de tempo para preparar a estrutura pública de saúde a suportar a pressão dos próximos dias.”

    Números

    “Quando surgiu o primeiro caso na cidade, em 26 de fevereiro, até 23 de abril, tivemos 45518 notificações na cidade. Em apenas três dias, esses números pularam para 56 mil notificações e até ontem (2) chegamos a 80 mil. Nos primeiros 56 dias, a média não ultrapassava 800 notificações, e estamos chegando a uma média de quase 5500 casos diários”, compara.

    “Sem falar nos óbitos, não só das que morrem confirmadas (por COVID-19), mas de óbitos suspeitos. Tivemos em pouco mais de 10 dias um aumento de 216,7% no número de óbitos na cidade. Há um número cada vez maior de pessoas indo a óbito em seus domicílio. Tínhamos nessa época no ano passado uma média que não ultrapassava 60, 70 óbitos em domicílio. Chegamos na última quinta-feira (30) a registrar 237. Temos um cenário de agravamento, de disseminação da doença de maneira muito rápida”, alerta o secretário.

    Aparecido cita que a ocupação de leitos chega a 79%. “Os nossos leitos municipais de UTI vão chegar no final de maio a 1440. Iniciamos o processo de negociação com a rede privada, que tem 4220 leitos com respiradores. Acreditamos ter o acréscimo de 800 leitos da rede privada”. E chama a atenção para outro dado. “Chegamos na tarde de quinta (30) ao afastamento de 4 mil profissionais de saúde, quase 900 testados positivamente para COVID-19. E já passaram pelos hospitais de campanha 1400 pacientes. Se esses hospitais não existissem e todos fossem na rede normal, teríamos entrado em colapso da rede hospitalar”. 

    Restrição de circulação

    O isolamento social também é importante para conter o avanço do novo coronavírus, aponta. “Alcançamos nos primeiros dias 59%, que nos permitiu controlar o avanço da doença. Paulatinamente, as pessoas voltaram a circular na cidade, o que significa que a disseminação se dá de maneira mais acentuada, sobretudo na periferia, onde há o maior número de casos confirmados e de óbitos. A população precisa estar atenta, ouvir as orientações. O papel do isolamento não é restringir, é salvar vidas. São medidas necessárias, imprescindíveis, imperiosas”, defende. 

    Algumas iniciativas já estão previstas, conta Aparecido. “As medidas vão acontecendo conforme os números vão se apresentando. Iniciamos uma ação conjunta com o Governo do Estado, bloqueios educativos nas regiões com maior número de óbitos, que a partir da próxima semana serão efetivos: terá apenas uma faixa para transporte coletivo e outra para individual”.