Mais de 70 mil policiais e bombeiros foram afastados por saúde mental

Entre os bombeiros, foram registrados mais de 38 mil licenças médicas com diagnósticos formais emitidos por psicólogos ou psiquiatras em 2024

Larissa Soave, colaboração para a CNN Brasil, Carolina Figueiredo, da CNN Brasil, São Paulo
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O MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) apresentou o Painel Qualidade de Vida no Trabalho, que consolida dados sobre a saúde mental e as condições de trabalho dos profissionais das forças de segurança pública do país. O levantamento mostrou que mais de 70 mil servidores foram afastados de suas funções por questões de saúde mental.

A pesquisa é referente ao ano-base de 2024 e compilou informações de 135 instituições distribuídas pelos 26 estados e pelo Distrito Federal.

No total, 70,4 mil servidores, incluindo policiais e bombeiros, foram afastados de suas funções operacionais por diagnósticos enquadrados na categoria F da CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) da OMS (Organização Mundial da Saúde), que abrange transtornos mentais e de comportamento com prescrição médica de psicólogos ou psiquiatras.

O impacto do trabalho na saúde mental varia entre as corporações, mas atinge principalmente o Corpo de Bombeiros. Veja os números abaixo:

  • Corpos de Bombeiros Militares: 38.761 afastamentos registrados com diagnóstico formal de CID-10. A maioria dos casos se concentrou nos postos de 1º Sargento (12.295), 2º Sargento (8.481) e 3º Sargento (5.504).
  • Polícias Militares: 28.449 licenças com código CID-10, além de 1.472 afastamentos sob receita médica sem especificação do código por razões de sigilo. O posto de Soldado foi o mais impactado isoladamente, somando 16.963 afastamentos.
  • Polícias Civis: 3.276 afastamentos confirmados com CID-10, sendo os Agentes de Polícia a categoria mais afetada (2.660 casos), seguidos por escrivães (444) e delegados (343).

Acolhimento psicológico

Apesar do elevado volume de licenças de saúde, o painel revela uma lacuna no acompanhamento preventivo das instituições. O acolhimento psicológico costuma ocorrer apenas após o esgotamento do servidor, e não monitorado de forma contínua.

Nas Polícias Militares, por exemplo, 22 UFs (Unidades Federativas) oferecem suporte de psicologia e psiquiatria, mas 19 não realizam acompanhamento de rotina apenas oito proporcionam avaliação psicológica periódica.

De acordo com o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a consolidação das informações traz uma série de particularidades que serão aperfeiçoadas ao longo das próximas pesquisas.

“Estamos falando de questões legais como, por exemplo, o sigilo médico. Mas vamos fazer dessa apuração uma obrigação anual, com os respectivos aperfeiçoamentos. O mais importante é que estamos olhando para a saúde mental dos profissionais da segurança pública”, afirma Lucas.