Mandetta critica hospital em SP que tem 80 mortes por COVID-19

Em nota, rede Prevent Senior diz que segue protocolos das autoridades de saúde e nega que pacientes tenham se contaminado dentro das unidades

Natália André
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Entrada do hospital Sancta Maggiore, onde morreram pacientes com coronavírus

Entrada do hospital Sancta Maggiore, da rede Prevent Senior em São Paulo
Foto: Rahel Patrasso - 17.mar.2020/Reuters

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), criticou nesta terça-feira (31) a rede Prevent Senior, dona dos hospitais Sancta Maggiore e especializada no atendimento de idosos, manifestando preocupação com a situação de uma unidade onde foram registradas 80 das 136 mortes relacionadas ao coronavírus no estado de São Paulo.

Em nota à imprensa, a Prevent Senior afirma que a sua gestão é atestada pela Agência Nacional de Saúde (ANS) e que, ao contrário do que o ministro sinalizou, os "pacientes com COVID-19 internados nos dois hospitais da rede não foram contaminados no interior das unidades".

"Um empresário criou um convênio só para idosos, mas não diluiu o risco da carteira. Ele pensou: 'Consigo médicos e enfermeiros com preços bem apertados'. Mas ele não contava com a entrada de um vírus como esse. A partir do momento que o vírus entra (no hospital), não dá pra tirar as pessoas, porque elas já estão isoladas lá", disse Mandetta.

Durante a entrevista coletiva desta terça, o ministro disse que está em contato com o estado de São Paulo para "conseguirmos fazer um método de barreira lá". "Se esses idosos estivessem espalhados pela cidade, seria diferente", concluiu.

A Prevent Senior afirmou também que segue "todos os protocolos e recomendações da ONS", que possui índice de infecção de profissionais de saúde abaixo dos demais hospitais e que os exames laboratoriais para a identificação do novo coronavírus foram feitos fora dos seus hospitais.

Vítimas fatais

Segundo a divulgação do Ministério da Saúde, das 201 mortes registradas no país, 89% foram de pessoas com mais de 60 anos. Do total, apenas 15% não tinham comorbidades, e desses 28 óbitos, 5 não eram idosos.

Nos 75% com doenças de base, a maioria apresentava cardiopatia, diabetes e/ou pneumonia. O estado com mais casos de internação é São Paulo, com 902 pessoas isoladas em hospitais.

Nas últimas 24 horas, o estado registrou o recorde de óbitos em apenas um dia por coronavírus, 136. SP também registra também 2.339 casos confirmados, um aumento de 54% com relação a segunda (30).