Maranhão investiga caso suspeito de varíola dos macacos

Paciente é um homem de 30 anos que não apresenta histórico de viagens

Varíola dos macacos foi confirmada por exame em paciente de São Paulo
Varíola dos macacos foi confirmada por exame em paciente de São Paulo Foto ilustrativa mostra tubos de ensaio rotulados como "vírus da varíola dos macacos positivo e negativo"23/05/2022REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

Anna Gabriela CostaCarolina FigueiredoAndré Rosada CNN

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O Maranhão é o sexto estado brasileiro a investigar um caso suspeito de varíola dos macacos, a informação foi confirmada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) nesta sexta-feira (10). O caso suspeito é um homem de 30 anos, morador de São Luís, que deu entrada em uma unidade de saúde da rede pública municipal no dia 8 de junho. O paciente não apresenta histórico de viagens.

De acordo com a Secretaria de Saúde, os sintomas apresentados pelo paciente é febre, calafrio, dor de cabeça, ardor nos olhos, dor nas costas e lesões por todo o corpo com coceira. Ele segue internado e estável.

“O CIEVS/MA e CIEVS São Luís seguem com a investigação epidemiológica e, por sua vez, o Laboratório Central de Saúde Pública do Maranhão (Lacen/MA) iniciou a análise das amostras do paciente”, afirmou o governo do Maranhão.

Até a noite desta sexta-feira (10), o Brasil tinha um caso confirmado de varíola dos macacos, na cidade de São Paulo. No total, são ao menos oito casos suspeitos da doença: um no Rio Grande do Sul, um no Mato Grosso do Sul, dois casos suspeitos em Santa Catarina e dois em Rondônia, além de um em São Paulo e o mais recente a ser divulgado, do estado do Maranhão.

Sobre a varíola dos macacos

A doença é causada por um vírus que pertence ao gênero ortopoxvírus da família Poxviridae. Existem dois grupos de vírus da varíola dos macacos: o da África Ocidental e o da Bacia do Congo (África Central).

O vírus da varíola dos macacos é transmitido de uma pessoa para outra por contato próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados, como roupas de cama. O período de incubação é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar de 5 a 21 dias.

Várias espécies animais foram identificadas como suscetíveis ao vírus da varíola dos macacos, incluindo esquilos, ratos, arganazes, primatas não humanos e outras espécies. De acordo com a OMS, são necessários mais estudos para identificar os reservatórios exatos e como a circulação do vírus é mantida na natureza. A ingestão de carne e outros produtos de origem animal mal cozidas de animais infectados é um possível fator de risco.

As infecções humanas com o tipo de vírus da África Ocidental parecem causar doenças menos graves em comparação com o grupo viral da Bacia do Congo, com uma taxa de mortalidade de 3,6% em comparação com 10,6% para o da Bacia do Congo.

Transmissão por contato sexual

Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que alguns desses casos estão sendo identificados em pacientes gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens. Pessoas trans também podem estar mais vulneráveis no contexto do atual surto, segundo a OMS.

A doença causada por um vírus pode ser transmitida pelo contato com a pele durante o sexo, incluindo beijos, toques, sexo oral e com penetração com alguém que tenha sintomas. Como medidas de proteção, a OMS recomenda evitar contato próximo com qualquer pessoa que tenha sintomas.

Os sintomas da varíola dos macacos incluem erupção cutânea com bolhas no rosto, mãos, pés, olhos, boca ou genitais, febre, linfonodos inchados, dores de cabeça e musculares e falta de energia.

As medidas de prevenção incluem a busca por atendimento médico diante dos sintomas, seguido de isolamento em casa. Deve-se evitar o contato com a pele, rosto e contato sexual com qualquer pessoa que tenha sintomas. As mãos, objetos e superfícies que são tocados regularmente devem ser higienizados. A OMS recomenda, ainda, o uso de máscara se estiver em contato próximo com alguém com sintomas.

“Com base nos relatos de casos até o momento, esse surto está sendo transmitido por meio de redes sociais conectadas principalmente por meio de atividade sexual, envolvendo principalmente homens que fazem sexo com homens. Muitos – mas não todos os casos – relatam parceiros sexuais casuais ou múltiplos, às vezes associados a grandes eventos ou festas”, disse Hans Henri P. Kluge, diretor regional da OMS para a Europa.

O diretor da OMS destacou que o vírus pode afetar qualquer pessoa, independente de orientação ou prática sexual. Em comunicado a OMS também afirmou “Estigmatizar as pessoas por causa de uma doença nunca é bom. Qualquer pessoa pode contrair ou transmitir a varíola dos macacos, independentemente de sua sexualidade”.

“Devemos lembrar, no entanto, como vimos em surtos anteriores, que a varíola dos macacos é causada por um vírus que pode infectar qualquer pessoa e não está intrinsecamente associado a nenhum grupo específico de pessoas. As comunidades gays e bissexuais têm alta conscientização e comportamento rápido de busca de saúde quando se trata de sua saúde sexual e de suas comunidades. De fato, devemos aplaudi-los por sua apresentação precoce aos serviços de saúde”, reforçou.

Segundo Kluge, a transmissão rápida e amplificada da varíola dos macacos também ocorre no contexto da recente flexibilização das restrições impostas como prevenção à Covid-19, como viagens e eventos internacionais.

*Com informações de Lucas Rocha, da CNN

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