Medidas para combater COVID-19 diminuem os casos de bronquiolite nas crianças

O distanciamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus tem diminuido o fluxo no atendimento em pediatria

Luana Massuella

Da CNN, em São Paulo

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No Hospital Infantil Sabará o fluxo de pacientes do Pronto-Socorro passou por mudanças com o COVID-19, separando pacientes com sintomas respiratórios dos demais. A classificação é feita logo na porta de entrada.

Medidas de isolamento social com o novo coronavírus estão diminuindo o fluxo no atendimento em pediatria e os casos de bronquiolite nas crianças. Segundo a Sociedade Paulista de Pediatria, um estudo preliminar já percebe uma diminuição de 70% de crianças internadas por bronquiolite — em hospitais públicos e privados.

“O que percebemos é que houve uma diminuição brutal na procura pelos centros de pediatria e percebemos essa queda nos hospitais públicos e privados”, diz Marco Aurélio Safadi, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Paulista de Pediatria.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, com o isolamento social já é possível perceber a diminuição nos casos de doenças respiratórias. “Diminuindo a circulação de pessoas, diminuindo à exposição aos vírus, nós estamos colhendo frutos não só de diminuição para o vírus causador da COVID-19, mas também para outras doenças”, afirma Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria. “Nós temos visto a diminuição de casos de bronquiolite, por exemplo, essa redução da circulação do vírus impacta diretamente na saúde pública”, completa.

Entre março e abril temos o pico de internações por bronquiolite. “Nesse período do ano a gente costuma ter uma aumento de internações por bronquiolite, em fevereiro a gente tinha observado um aumento de internações por bronquiolite, e aí vieram as medidas de isolamento, e já percebemos uma diminuição dos casos”, conta Safadi.

“Esse dado é muito importante, porque isso significa que esse vírus está circulando menos – e isso é um efeito dos fechamentos das creches e escolas”, completa. “É um dado muito preliminar, mas já conseguimos sentir mais ou menos uma queda de 70% nessas internações por bronquiolite”, comenta Safadi.

Caroline Guedes é analista operacional, e tem duas filhas com quadro de bronquiolite crônica e rinite. “Neste ano, provavelmente devido ao isolamento social e bomba de alimentos que aumentam imunidade devido o Covid, foi a primeira vez que elas não tiveram crise nenhuma”, conta Caroline. “No final de Fevereiro e na primeira semana de março minha caçula estava com início das crises, devido as mudanças climáticas e aos coleguinhas que estavam doentes, agora que estamos há um mês em casa, elas estão ótimas, nunca estiveram tão bem nesta época”, completa.

Mãe da Rúbia de 17 anos e do Renan de 6 anos, Rossana Neri diz que os dois filhos têm problemas de alergia, e no período do outono e do inverno, pelo tempo estar mais seco, eles têm os sintomas de saúde agravados.

“Eu tenho percebido pelas últimas duas semanas que isso não está acontecendo mais, eu tenho sentido que eles estão melhores, e acredito que isso está acontecendo porque estamos vivendo com menos carros nas ruas e consequentemente com menos poluição”, diz Rossana.

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