Mediterrânea, DASH ou AHEI: qual dieta é melhor para prevenir diabetes?

Estudo analisou a relação entre diferentes padrões alimentares e o maior risco da doença crônica

Gabriela Maraccini, da CNN
Conjunto de vegetais, frutas, verduras, peixe e aves vistos de cima
Dieta DASH é um plano alimentar criado por cientistas dos Estados Unidos, há mais duas décadas, para ajudar no controle da pressão arterial  • Aamulya/GettyImages
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A alimentação tem um grande papel na prevenção e controle do diabetes, mas um novo estudo sugere que três padrões alimentados com benefícios já bem estabelecidos pela ciência podem ser essenciais para quem quer reduzir os riscos da doença. São eles a dieta mediterrânea, a DASH e a AHEI.

DASH é a sigla em inglês para "Abordagens Dietéticas para Combater a Hipertensão" e AHEI, para "Índice Alternativo de Alimentação Saudável". Ambas as dietas, junto com a mediterrânea, são recomendadas para a saúde geral e seu potencial para reduzir o risco de doenças crônicas.

A nova pesquisa, que será apresentada na Reunião Anual Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD) deste ano, em Viena, na Áustria, mostrou que as pessoas que seguiram a dieta mediterrânea tiveram um risco 17% menor de desenvolver diabetes tipo 2, enquanto as que seguiram a dieta AHEI tiveram um risco 21% menor. Já quem manteve uma alimentação no estilo DASH reduziu o risco para 23%.

O trabalho foi feito por meio de uma busca sistemática de estudos já publicados. No total, foram identificadas 33 publicações relatando a associação entre esses padrões alimentares e diabetes tipo 2.

"Embora mais pesquisas sejam necessárias em populações específicas, este estudo reforça a evidência de que os padrões alimentares mediterrâneo, AHEI e DASH podem reduzir o risco de diabetes tipo 2 em diversos grupos étnicos e que podem ser promovidos em todas as populações", concluem os autores do estudo.

Esta análise faz parte de uma revisão mais ampla em andamento que examina as associações de vários padrões alimentares, incluindo padrões alimentares à base de plantas (que incluem dietas vegetarianas e veganas), com o risco de diabetes tipo 2. Os pesquisadores determinarão ainda se benefícios semelhantes se estendem a grupos étnicos para esses outros padrões alimentares.

Entenda como funcionam as dietas

A dieta mediterrânea é baseada em plantas, com grande parte de cada refeição focada em frutas e vegetais, grãos integrais, feijões e sementes, com algumas nozes e uma forte ênfase no azeite de oliva extra virgem. Gorduras diferentes do azeite de oliva, como manteiga, são consumidas raramente, se é que são consumidas, e açúcar e alimentos refinados devem ser evitados.

Entre seus benefícios já comprovados pela ciência estão a prevenção de doenças cardiovasculares, do risco de câncer, melhora da saúde intestinal e prevenção de doenças neurodegenerativas.

Já a dieta DASH é baseada no consumo de frutas, hortaliças, grãos e cereais, oleaginosas, sementes e leguminosas, leite e derivados, peixe, aves e carne vermelha com moderação. Esse plano alimentar foi criado por cientistas dos Estados Unidos há mais de duas décadas para ajudar no controle da pressão arterial.

Por fim, a dieta AHEI atribui classificações a alimentos e nutrientes que podem prevenir doenças crônicas. O índice foi criado por pesquisadores da Escola de Saúde Pública TH Chan de Harvard. O AHEI classifica sua dieta, atribuindo uma pontuação que varia de 0 (não adesão) a 110 (adesão perfeita), com base na frequência com que você come determinados alimentos, tanto saudáveis quanto não saudáveis.

Por exemplo, alguém que relata não comer vegetais diariamente receberia nota zero, enquanto alguém que comesse cinco ou mais porções por dia receberia nota 10. Para uma opção não saudável, como bebidas adoçadas com açúcar ou suco de fruta, a pontuação é invertida: uma pessoa que comesse uma ou mais porções receberia nota zero, e nenhuma porção receberia nota 10.

Pesquisas relacionam altas pontuações no AHEI a um menor risco de doenças crônicas. Um estudo importante publicado no Journal of Nutrition, que incluiu 71.495 mulheres e 41.029 homens, descobriu que pessoas com pontuações mais altas no AHEI tinham um risco 19% menor de doenças crônicas, incluindo um risco 31% menor de doença coronariana e um risco 33% menor de diabetes, quando comparadas a pessoas com baixas pontuações no AHEI.