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    Mieloma: conheça os sintomas do tipo raro de câncer que afeta células da medula

    Mês de março é dedicado à conscientização sobre o mieloma, destacando o alerta sobre os sinais e tratamento da doença

    Instituto Nacional de Câncer (Inca) não possui estimativas da incidência da doença no Brasil
    Instituto Nacional de Câncer (Inca) não possui estimativas da incidência da doença no Brasil Athima Tongloom/Getty Images

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    O mieloma múltiplo é um tipo raro de câncer que afeta células da medula óssea. A doença pode provocar anemia e aumentar o risco de infecções.

    O mês de março é dedicado à conscientização sobre o mieloma, destacando o alerta sobre os sinais e tratamento da doença.

    O mieloma corresponde a cerca de 1% dos tumores malignos e 10% a 15% dos cânceres relacionados ao sangue. No Brasil, há poucos dados epidemiológicos disponíveis.

    O que é o mieloma

    O mieloma múltiplo é um tipo de câncer do sangue que tem início na medula óssea. A doença afeta células de defesa do organismo chamadas plasmócitos. No momento da diferenciação celular, surge um erro e elas se tornam plasmócitos anormais.

    As células anormais podem se aglomerar e formar tumores tanto dentro ou fora do osso. Quando existem vários grupos de plasmócitos, a doença é chamada mieloma múltiplo.

    O Instituto Nacional de Câncer (Inca) não possui estimativas da incidência da doença no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, o mieloma é uma doença que afetam principalmente pessoas idosas. Mais de 90% dos casos ocorrem após os 50 anos, com idade média ao diagnóstico de 70 anos. No Brasil, a ocorrência da doença parece se dar mais cedo, sendo de 60 anos a idade mediana dos pacientes ao diagnóstico.

    Segundo o Hospital A.C.Camargo, referência no tratamento do câncer em São Paulo, o avanço da doença pode levar ao comprometimento da produção das outras células do sangue. Por isso, os pacientes podem ter anemia e ficam sujeitos a infecções.

    Além disso, os plasmócitos cancerosos também produzem uma proteína anormal, chamada de proteína monoclonal, que se acumula no sangue e na urina. As células doentes também podem afetar os ossos, causando dores e fraturas espontâneas.

    As manifestações clínicas mais comuns ao diagnóstico são dor óssea, principalmente em tórax e coluna, induzida pela movimentação, déficit motor ou sensitivo, fraturas e insuficiência renal. Os pacientes também podem apresentar sinais de anorexia, náusea, vômitos, constipação e infecções bacterianas recorrentes.

    Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver câncer, como a idade avançada. Os casos de mieloma múltiplo são um pouco mais frequentes em homens do que em mulheres.

    As causas não são totalmente esclarecidas pela comunidade científica, o que leva à inexistência de formas de prevenção. No entanto, recomendações de uma vida saudável, com alimentação rica em verduras, legumes e frutas, pouca carne vermelha, não fumar, praticar exercícios regularmente e não abusar de álcool contribuem para reduzir os riscos do câncer.

    Diagnóstico e tratamento

    Exames específicos de sangue e de urina são usados para diagnóstico, definição da evolução da doença e acompanhamento do tratamento, segundo o Hospital A.C.Camargo.

    Os testes avaliam níveis de cálcio e alterações nas proteínas monoclonais produzidas pelos plasmócitos doentes no sangue e na urina. A punção de medula também pode ser pedida. Biópsias nos ossos ou nos tecidos moles ao redor deles são exames complementares para diagnosticar o mieloma, além de exames de imagem.

    Após o diagnóstico, os médicos realizam exames para determinar o estágio da doença, chamado tecnicamente de estadiamento. A análise permite definir se o câncer afetou ou não outras partes do organismo, como gânglios linfáticos ou outros órgãos.

    De acordo com o A.C.Camargo, os tratamentos disponíveis atualmente não curam a doença, mas permitem que o paciente tenha saúde e qualidade de vida por longos períodos. Pesquisas em andamento buscam medicamentos mais eficazes e específicos. A escolha do tratamento depende de diferentes fatores, como a presença de sintomas, a idade e condição de saúde, como outras doenças.

    Algumas vezes, o paciente de mieloma múltiplo é apenas acompanhado, sem fazer tratamento. Entre as opções terapêuticas estão a quimioterapia e a quimioterapia seguida de transplante de medula. Já a radioterapia é usada em pacientes com mieloma múltiplo que têm dor nos ossos ou que tiveram ossos danificados pela doença, segundo o A.C.Camargo.