Moradores de outras cidades sobrecarregam vacinação nas capitais

Rio de Janeiro e São Paulo lideram lista de imunização com moradores de outros municípios

Vacinação de voluntários começou na manhã deste domingo (13)
Vacinação de voluntários começou na manhã deste domingo (13) Foto: Prefeitura de Viana/divulgação

Elis Barreto, da CNN, no Rio de Janeiro

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Um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz, divulgado nesta terça-feira (22), aponta que as capitais brasileiras estão sobrecarregadas com a migração de moradores de outras cidades para vacinação contra Covid-19.

De acordo com a nota técnica da Fiocruz, pelo menos quatro capitais, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte, registraram números expressivos de doses aplicadas em residentes de fora do município.

 O estudo analisou os dados dos locais de residência e de vacinação de todas as 73,8 milhões de doses aplicadas até 16 de junho, de acordo com os registros do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI).

Segundo os pesquisadores, a cidade de São Paulo, primeira da lista, aplicou 257 mil doses de vacina de seis municípios vizinhos: Guarulhos (101.681 doses), Osasco (37.715), Santo André (35.236), Diadema (27.758), Taboão da Serra (27.650) e São Bernardo do Campo (27.119).

O Rio de Janeiro vem em segundo lugar com 156 mil doses em moradores de Duque de Caxias (47.507), Nova Iguaçu (32.028), São João de Meriti (28.873), Niterói (25.282) e Belford Roxo (22.566).

As cidades de Recife (PE) e Belo Horizonte (MG) também registraram números expressivos de vacinação para moradores de cidades vizinhas: 69.383 e 64.498 doses, respectivamente.

A capital pernambucana aplicou 35.695 doses em moradores de Olinda e 33.688 de Jaboatão dos Guararapes, enquanto Belo Horizonte aplicou a vacina 39.443 doses em moradores de Contagem e 25.055 de Ribeirão das Neves.

Já sobre migração para outros estados, o trajeto RJ x SP lidera o levantamento, com 12 mil doses aplicadas em cariocas, na capital paulista. No total, 899.926 doses foram aplicadas em residentes de estados diferentes do local de residência.

Com mais de 11,3 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 aplicadas em moradores de outras cidades, que em média viajaram 252 quilômetros de distância até o local de vacinação, o estudo aponta uma falta de uma integração organizada pelo governo federal.

O epidemiologista Diego Xavier, do Instituto de Comunicação e Informação Cientifica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz (ICICT/Fiocruz), entende que esse “turismo” atrapalha o planejamento das secretarias municipais, e pode ter prejudicado os calendários de vacinação de capitais como Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, causando o adiamento da imunização.

“Sem uma coordenação nacional, que integre efetivamente as políticas de vacinação de estados e municípios, sob a liderança do Ministério da Saúde, continuaremos a ver fortes discrepâncias no esforço de vacinação, com enorme variação entre o percentual de vacinados de cidade para cidade, mesmo dentro de um único estado”, analisa Xavier.

A preocupação dos pesquisadores é que a tendência de crescimento dessas migrações possa trazer risco para aplicação de segundas doses.

Esse aumento observado ainda no mês de maio, quando a oferta de vacinas já era maior e regular, pode apresentar um agravamento nos próximos meses à medida que ocorre uma antecipação de faixas etárias e criam-se divergências nos calendários de vacinação dos municípios.

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