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    Mudança de nome da ‘varíola dos macacos’ é fundamental, diz infectologista

    Em entrevista à CNN, Luana Araújo explicou que nome surgiu por doença ter sido identificada pela primeira vez nesse grupo de animais

    Thiago FélixRenata Souzada CNN

    em São Paulo

    A infectologista Luana Araújo, em entrevista à CNN neste sábado (13), classificou a mudança de nome da varíola dos macacos como “fundamental”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) está realizando uma consulta aberta para renomear a doença e evitar o estigma ao grupo de animais.

    “Não tem lógica a gente chamar uma doença de ‘varíola dos macacos‘ quando a gente sabe que os macacos não têm nada a ver com isso”, afirmou.

    A médica explica que a doença foi descoberta no anos 50 quando um grupo de macacos mantido em laboratório foi contaminado pelo vírus. “Esse vírus é capaz de infectar não só animais como nós, humanos, mas também animais não humanos, como primatas e qualquer outro mamífero”, explicou.

    Sobre a propagação da doença, a médica afirmou que o Brasil tem enfrentado dificuldades para diagnosticar de forma descentralizada. “Nesse momento, a gente sabe que a doença se espalha pelo país de uma maneira quase cega para a gente. Muito em função desse tipo de gargalo [no diagnóstico] que a gente tem.”

    Apesar disso, a infectologista avalia que a varíola dos macacos não deve atingir as mesmas proporções da Covid-19.

    “Ela não tem as mesmas características de transmissibilidade pelo ar, com tanta facilidade, como a gente vê com a Covid; ela não tem o nível de pressão sobre o sistema que a gente viu acontecer com a Covid e ela não tem a letalidade que a gente viu acontecer com a Covid, mas isso não significa que ela não chegue a pessoas que são vulneráveis, que precisam de cuidados, que ela não possa desestabilizar casos importantes”, afirmou.

    A médica salientou ainda que, apesar de a doença ter contaminado um grande número de homens que se relacionam sexualmente com outros homens, a doença não se restringe a homossexuais. “Não tem nenhum cabimento a gente associar isso a qualquer grupo, principalmente por conta de orientação sexual.”

    Em relação ao tratamento, Luana relembra que nós ainda não temos “medicação específica para Mokeypox e que a gente também não tem a vacina disponível no país. Então a grande ferramenta que a gente tem para conter o avanço da doença é informação, acima de tudo, e o isolamento dos doentes”.

    No último dia 29, o o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, afirmou que a primeira remessa de vacinas contra varíola dos macacos adquiridas pelo Brasil deve ser entregue em setembro.