'Não acredito que teremos população vacinada em outubro', diz ex-PNI à CNN

À CNN, a epidemiologista Carla Domingues avalia que conclusão da aplicação das duas doses contra a Covid-19 só deve ocorrer em dezembro ou começo de 2022

Produzido por Layane Serrano, da CNN São Paulo
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Em entrevista à CNN, a epidemiologista e ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Carla Domingues, disse que há disparidade entre a aplicação das doses de vacina contra a Covid-19 no Brasil e que, portanto, não acredita que o país será capaz de concluir a aplicação das duas doses, em toda a população acima de 18 anos, antes do final do ano.

“Principalmente, porque o Brasil decidiu alargar o esquema de vacinação para 90 dias, tanto da Pfizer quanto da AstraZeneca, não acredito que em outubro teremos toda a população vacinada", diz. 

Domingues acrescenta que o país não deve criar uma "falsa sensação de segurança" na população que só tomou uma única dose. "Possivelmente, teremos, sim, a população vacinada com uma dose [até outubro], mas com duas doses eu acredito que só no final do ano ou começo de 2022", afirma.

A epidemiologista critica o ministério da Saúde por não ter coordenado de maneira centralizada a campanha de vacinação. Ela acredita que, ao delegar a tarefa aos estados e municípios, houve uma irregularidade na distribuição das vacinas. "Muitos estados incluíram novos grupos e alguns estados receberam vacinas a mais por conta das novas variantes. Com isso, alguns locais ficaram para trás, por terem vacinado grupos que não deveriam neste primeiro momento, e outros acabaram recebendo mais doses. Houve esse desequilíbrio.”

Domingues defende que seja feito um balanço de como está o ritmo de vacinação em cada estado e município, a fim de trazer equiparidade para o PNI. "Não acredito que seja a melhor estratégia estar vacinando adolescentes em estados que receberam mais vacinas porque tinham indicação de nova variante naquele momento. Agora, eles deveriam suspender a vacinação para que a gente pudesse direcionar vacinas para aqueles estados que estão mais atrasados porque receberam menos doses. A gente precisa ter equilíbrio.”

A ex-coordenadora do PNI, que esteve à frente do programa de 2011 à 2019, explica que é necessário atingir uma homogeneidade da vacinação. "Todo o país precisa chegar junto no final do ano. Nós não estamos numa competição de maratona para ver quem vai chegar primeiro. Nós precisamos que todos os municípios cheguem juntos porque é dessa forma que vamos garantir uma vacinação universal para toda a população brasileira.”

Posto de vacinação contra Covid-19 no Hospital do Guará, em Brasília
Posto de vacinação contra Covid-19 no Hospital do Guará, em Brasília
Foto: Myke Sena - 16.jun.2021/Ministério da Saúde