Não tivemos queda substancial de casos para sair de uma onda, diz infectologista

Álvaro Costa, infectologista do HC, reforça a necessidade de maior cobertura de vacinação contra a Covid-19 e comunicação com a população

Produzido por Fernanda Pinotti e Layane Serrano, da CNN São Paulo

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O infectologista do Hospital das Clínicas, Álvaro Costa, afirmou à CNN neste domingo (6) que o Brasil não registrou em nenhum momento uma queda substancial de casos de Covid-19 para configurar a saída de uma das ondas da doença. “A gente melhorou, mas ainda com um número elevado de casos”, diz.

O especialista explica que a primeira onda costuma se referir ao início da pandemia em 2020, quando os profissionais da saúde ainda não conheciam bem a doença. A segunda onda diz respeito ao final do último ano, quando os casos voltaram a subir após queda registrada entre setembro e outubro. “Ainda temos uma quantidade grande de casos. É um momento bastante grave pelos indicadores, pelas taxas de ocupação, a pandemia está longe de um controle”, diz.

Segundo Álvaro Costa, a situação é de bastante instabilidade no Brasil, e pode piorar nas próximas semanas. Para que o cenário melhore, ele reforça a necessidade de maior cobertura de vacinação e comunicação com a população.

“Não podemos entender esse momento que vivemos como um momento de extrema tranquilidade. A gente só teve uma queda pouco significativa, e os indicadores ainda são ruins. Precisamos de planejamento para não cometer os mesmos erros ”, diz.

O infectologista alerta que alguns pilares são cruciais para reduzir os contágios e não atingir um momento de aceleração descontrolada, quando já não é possível prestar assistência aos pacientes infectados. “Precisamos expandir a cobertura vacinal no Brasil, temos um índice muito elevado de pessoas que não tomaram a segunda dose”, pontua. 

Outro alerta está relacionado ao clima do país. Costa explica que a situação pode piorar agora que o Brasil está na época de outono e inverno. O especialista exemplifica a aglomeração registrada em Campos de Jordão, na última semana. “O jovem que foi para esses locais ainda não recebeu a vacina, a população segue suscetível a pegar a Covid e ampliar a cadeia de contágios”, diz. 

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