Novo sequenciamento soluciona quebra-cabeças sobre o genoma humano, diz professor

À CNN, o pesquisador Michel Naslavsky afirmou que a comunidade científica está animada com sequenciamento dos 8% restantes do genoma humano

Cientistas buscam ampliar o mapeamento genético considerando populações diversas
Cientistas buscam ampliar o mapeamento genético considerando populações diversas Walterson Rosa/MS

Amanda GarciaBel Camposda CNN

em São Paulo

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Uma equipe de cerca de 100 cientistas de um consórcio internacional revelou o genoma humano completo, com o sequenciamento dos 8% restantes do projeto original, que há quase vinte anos havia chegado a 92%.

Em entrevista à CNN, o professor do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da Universidade de São Paulo (USP) Michel Naslavsky explicou o avanço a partir de uma analogia com um quebra-cabeças.

“Na caixa de um quebra-cabeças tem a foto que ajuda a montar, só que a foto, até então, estava incompleta, nem todas as regiões do genoma haviam sido sequenciadas, era difícil de encaixar”, explicou.

Segundo Naslavsky, que é pesquisador do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células tronco, “muitas tecnologias vieram nos últimos 20 anos do Projeto Genoma Humano”.

Ele reforçou que a comunidade científica está “muito animada e interessada” em avançar nas pesquisas, agora com o sequenciamento completo, inclusive na prevenção e detecção de doenças de origem genética.

Nesse contexto, os cientistas buscam ampliar o mapeamento genético considerando populações diversas, para além da Europa e Estados Unidos. “O mundo é maior do que isso, o Brasil talvez seja o melhor exemplo, tem componentes genômicos de diversas populações, e a saúde é influenciada por eles”.

“A primeira ação é comparar nossos genomas com esses mapas e identificar novas ações, com cada vez mais as pessoas buscando análises, especialmente com histórico na família de doenças genéticas, a expectativa é de estimar melhor os riscos”, completou.

Segundo o pesquisador, doenças comuns como diabetes, hipertensão e cardiovasculares poderão ser estimadas com mais precisão em diversas populações, especialmente não-europeias.

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