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    O que é a ozonioterapia e por que ela é polêmica

    Método promete tratar inflamações, infecções, dificuldade de cicatrização e outros, mas Anvisa não reconhece a eficácia

    Aplicação de ozônio pode ocorrer em várias partes do corpo com diversos objetivos terapêuticos
    Aplicação de ozônio pode ocorrer em várias partes do corpo com diversos objetivos terapêuticos Banco de imagens/Pexels/Karolina Grabowska

    Pedro N. Jordãoda CNN

    São Paulo

    “O ozônio é um gás com forte poder oxidante e bactericida. Devido a estas características, é utilizado para fins odontológicos e estéticos, não havendo, até o momento, nenhuma evidência científica significativa de que haja outras aplicações médicas para a utilização de tal substância nas modalidades de ozonioterapia aplicada em pacientes”, diz a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    Assim, a agência autoriza o uso do ozônio apenas nas seguintes modalidades:

    • Dentística: tratamento da cárie dental – ação antimicrobiana;
    • Periodontia: prevenção e tratamento dos quadros inflamatórios/infecciosos;
    • Endodontia: potencialização da fase de sanificação do sistema de canais radiculares;
    • Cirurgia odontológica: auxílio no processo de reparação tecidual;
    • Estética: auxílio à limpeza e assepsia de pele.

    A nota da Anvisa data de junho de 2022. Apesar disso, conselhos federais de algumas profissões, como farmácia, fisioterapia, enfermagem e biomedicina já regulamentavam a prática anteriormente para seus profissionais internamente.

    Nesta segunda-feira (7), o presidente Lula (PT) sancionou, a lei que autoriza a realização ozonioterapia em todo o território nacional, tornando a regra mais abrangente que anteriormente, quando dependia das normas de cada categoria.

    No entanto, isso não permite que a prática seja aplicada em outras modalidades no Brasil, até que a Anvisa faça uma nova regulamentação

    “Infinitas aplicações”

    “O ozônio dá aquilo que as células precisam para se reproduzir”, explica Wanessa Ribeiro, especialista em ozonioterapia e sócia-fundadora do Instituto CER Saúde Integrativa. Segundo ela, o método seria capaz até de evitar amputações de membros de diabéticos, ao ajudar a avançar na cicatrização, por um baixo custo.

    “Além de estar presente na camada da estratosfera, que nos protege, o ozônio é um gás com infinitas aplicações e que pode ser benéfico para o corpo humano”, complementa. “O ozônio possui propriedades anti-inflamatórias, antissépticas e para modulação do estresse oxidativo. Além disso, melhora a circulação periférica e oxigenação”.

    Para a especialista, as críticas à ozonioterapia ocorrem por questões de mercado. “É mais uma terapia. É vista como concorrência. Mas não deve ser encarada assim porque é uma terapia de caráter complementar, que vem para potencializar os resultados de outras, como acupuntura e homeopatia”.

    Diante das críticas, ela ainda afirma que “o que difere medicamento de veneno é a dose”. “Há casos de pacientes que tiveram problemas renais graves porque tomaram paracetamol demais. Para a ozonioterapia é preciso, como em outras terapias, buscar profissionais habilitados para sua aplicação com segurança”, completa Wanessa.

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    Sem reconhecimento

    Apesar da defesa da especialista e de haver regulamentação por diversos conselhos, a medicina continua como principal área da saúde a não reconhecer a técnica.

    O Conselho Federal de Medicina (CFM), por exemplo, já se posicionou afirmando que a ozonioterapia não é reconhecida para o tratamento de nenhuma doença.

    “Trata-se de procedimento ainda em caráter experimental, cuja aplicação clínica não está liberada, devendo ocorrer apenas no ambiente de estudos científicos, conforme critérios definidos pelo Sistema CEP/CONEP”, disse a entidade.

    O mesmo ocorreu com a Associação Médica Brasileira (AMB), que se posicionou, em 2021, contra a lei sancionada por Lula hoje.

    “Não há na história da medicina registro de droga ou procedimento contra um número tão amplo de doenças, que incluem, entre outros: todos os tipos de diarreia; artrites; hepatites; hérnias de disco; doenças de origem infecciosa, inflamatória e isquêmica; autismo; e sequelas de câncer e de Acidente Vascular Cerebral (AVC)”, disse.

    A Academia Nacional de Medicina (ANM) foi mais uma a se somar à contrariedade, se posicionando quando a lei foi aprovada no Senado. Para a ANM, não há conhecimento de trabalhos científicos que comprovem a eficácia da técnica e a prática pode trazer riscos à saúde.