O que é a peste pneumônica que matou pesquisadora na Rússia e o real perigo

Quadro inclui febre dor de cabeça e dificuldade respiratória com resposta positiva ao uso precoce de antibióticos apropriados; EUA afirma estar monitorando a situação

Jen Christensen, da CNN
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Uma pesquisadora de laboratório de 28 anos em um instituto russo dedicado ao estudo da peste e de patógenos perigosos morreu de pneumonia de origem "desconhecida".

O Instituto de Pesquisa Anti-Peste de Irkutsk opera na Sibéria, onde várias outras pessoas estão em quarentena. A Rospotrebnadzor, agência russa responsável por doenças infecciosas, minimizou a ligação entre a morte da pesquisadora e seu trabalho, mas o caso levantou questões sobre o tipo de peste que causa pneumonia.

O CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), órgão dos Estados Unidos, afirmou estar monitorando a situação de perto. A OMS (Organização Mundial da Saúde) disse na segunda-feira (5) que está em contato com as autoridades de saúde russas para verificar o ocorrido, quais testes estão sendo realizados e quaisquer possíveis implicações para a saúde pública internacional.

“Com base nas informações não oficiais disponíveis, o risco para a saúde pública da população em geral parece ser baixo”, disse um porta-voz da OMS, acrescentando que a avaliação de risco será atualizada assim que mais informações estiverem disponíveis.

O que é peste pneumônica?

A peste pneumônica é uma infecção pulmonar rara e mortal causada pela bactéria Yersinia pestis. Os cientistas consideram a peste pneumônica a forma mais perigosa da infecção.

Existem outras formas de peste causadas pela Y. pestis que atacam diferentes partes do corpo. A forma mais comum, a peste bubônica, geralmente se desenvolve após a picada de uma pulga ou quando a bactéria entra por um corte ou lesão na pele. A infecção provoca inchaço e dor nos gânglios linfáticos e pode evoluir para peste septicêmica.

A peste septicêmica infecta a corrente sanguínea, podendo levar à falência de órgãos, e também pode ser transmitida diretamente pela picada de uma pulga. Já a peste faríngea ataca a garganta depois que alguém ingere carne infectada.

Como é transmitida a peste pneumônica?

A peste pneumônica é a única forma da infecção bacteriana que se transmite diretamente de pessoa para pessoa. Partículas respiratórias a transportam quando uma pessoa tosse ou espirra. Gotículas de animais infectados também podem transmiti-la. A última transmissão documentada de peste pneumônica de pessoa para pessoa nos Estados Unidos data de 1924, durante um surto em Los Angeles .

Quais são os sintomas da peste pneumônica?

Na peste pneumônica, as partículas se alojam nos pulmões e podem desencadear uma pneumonia grave, dificultando a respiração. Os sintomas podem começar dentro de 24 horas após a infecção. Outros sintomas incluem febre, calafrios, dor de cabeça, dores no corpo, tontura, fraqueza, fadiga, náuseas, vômitos e diarreia. Sem tratamento, é quase sempre fatal.

Como se trata a peste pneumônica?

Os médicos podem tratar a peste com pelo menos 10 a 14 dias de antibióticos. Os mais comuns são ciprofloxacina, levofloxacina, moxifloxacina, gentamicina e estreptomicina. Pacientes que recebem antibióticos nas primeiras 24 horas após a infecção têm maior chance de sobrevivência. Os médicos também podem oferecer apoio com cuidados paliativos, fornecendo oxigênio suplementar, fluidos e incentivando o repouso.

Existe vacina contra a peste?

Embora as vacinas contra a peste sejam utilizadas desde o século XIX, não estava claro se elas ofereciam proteção contra a peste pneumônica. A OMS não recomenda a vacinação , exceto para grupos de alto risco, como o pessoal de laboratório, que está constantemente exposto ao risco de contaminação.

Por que a peste ainda ocorre hoje em dia?

Embora as pessoas possam estar mais familiarizadas com a peste através da leitura da Bíblia ou da literatura histórica — ou como uma metáfora para descrever uma pestilência e pobreza mais amplas, de acordo com o especialista em doenças infecciosas Dr. Tyler Evans — ela persiste até hoje.

Conhecida como a “Peste Negra” no século XIV, a infecção matou mais de 50 milhões de pessoas na Europa. Embora os antibióticos tenham tornado seu controle mais fácil, ela permanece presente em todos os continentes, exceto na Oceania.

Desde a década de 1990, a maioria dos casos em humanos ocorreu na África, de acordo com a OMS. A última morte por peste pneumônica nos EUA ocorreu no Arizona em julho de 2025, segundo o CDC . O jovem trabalhava com gatos doentes e acredita-se que tenha contraído a infecção dos animais. Ninguém mais que teve contato com os gatos relatou ter adoecido.

Evans, autor de “ Pandemias, Pobreza e Política: Decifrando os Fatores Sociais e Políticos das Pandemias, da Peste à Covid-19 ”, afirma que o risco de peste está “piorando como resultado de mudanças ecológicas e, particularmente, com os EUA reduzindo seus investimentos em infraestrutura e medidas de saúde pública”.

A peste, pelo menos, pode ser diagnosticada rapidamente, disse ele. E “os antibióticos, de primeira e segunda linha, são muito eficazes para isso”.

Em escala global, qual o nível de preocupação que as pessoas precisam ter em relação à possibilidade de ficarem doentes?

A OMS afirmou que o risco para a população em geral parece ser baixo.

De acordo com a Dra. Rutul Dalal, médica infectologista do Penn State Health St. Joseph Medical Center, pessoas com peste pneumônica se sentem mal muito rapidamente, o que pode retardar a disseminação da doença.

“É muito difícil para alguém sequer andar, realizar suas atividades diárias, quanto mais viajar”, ​​disse Dalal. As pessoas podem desenvolver sintomas já 24 horas após a exposição.

Segundo ele, não existem voos diretos entre a Rússia e os EUA, portanto, quando uma pessoa infectada chegasse aos EUA, provavelmente já estaria apresentando sintomas.

“Claro, você precisa ter cuidado e manter isso em mente… O mundo é uma pequena aldeia agora, como eu disse — todos conectados. Mas neste momento, comparado ao que temos visto, como durante a pandemia da Covid, isso não tem essa magnitude agora, e esperamos que permaneça sob controle.”

Para pessoas próximas a pacientes com peste, a OMS recomenda evitar o contato direto com os doentes e alerta para a necessidade de cautela ao manusear fluidos corporais infectados.

Os profissionais de saúde que cuidam de pacientes com peste pneumônica devem usar equipamentos de proteção individual padrão e também podem tomar antibióticos preventivos.

Em caso de exposição, as autoridades de saúde também monitorarão os familiares e outros contatos próximos da pessoa infectada e fornecerão antibióticos a eles antes que apresentem sintomas. Recomendam ainda a lavagem rotineira das mãos com água e sabão.

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