O que você precisa saber sobre a variante Delta se estiver grávida

Gestantes infectadas enfrentam risco aumentado de desenvolver Covid-19 grave em comparação com mulheres não grávidas de idade semelhante, apontam pesquisas

Mulher grávida
Mulher grávida Foto: Free Photos/ Pixabay

Ivana Kottasová, da CNN

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A variante Deltado Covid-19 está dominando os casos em todo o mundo e as autoridades de saúde em alguns países estão alertando sobre seu impacto nas mulheres grávidas.

Vários dos principais funcionários de saúde da Inglaterra emitiram um comunicado conjunto nesta sexta-feira (30) instando as mulheres grávidas a se vacinarem contra o coronavírus. Eles apontaram para novos dados que mostram que 98% das gestantes admitidas no hospital com Covid-19 no país desde maio não foram vacinadas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também disse anteriormente que mulheres grávidas infectadas enfrentam um risco aumentado de desenvolver Covid-19 grave em comparação com mulheres não grávidas de idade semelhante.

Uma preocupação é que o risco pode ser ainda maior com a cepa Delta, que se mostrou mais contagiosa e pode causar doenças mais graves em comparação com as variantes anteriores do vírus.

Aqui está o que você precisa saber.

A Delta é mais perigosa em grávidas?

A variante Delta é mais contagiosa e pode causar doenças mais graves para todos, incluindo mulheres grávidas.

Os dados mais recentes coletados pelo Sistema de Vigilância Obstétrica do Reino Unido (UKOSS, na sigla em inglês) mostraram que o número de mulheres grávidas que estão sendo admitidas no hospital com Covid-19 está aumentando no Reino Unido devido à cepa Delta.

“Em comparação com o vírus Covid original, as novas variantes (Alfa e depois Delta) causaram doenças progressivamente mais graves em mulheres grávidas”, disse Andrew Shennan, professor de obstetrícia do King’s College London, em comunicado ao Science Media Centre do Reino Unido. “Isso incluía a necessidade de ventilação, internação em terapia intensiva e pneumonia, com probabilidade de ocorrência mais de 50% maior”, acrescentou.

Os dados coletados pelo UKOSS mostram que cerca de 33% das mulheres hospitalizadas com Covid-19 precisaram de suporte respiratório e que 15% precisaram de cuidados intensivos.

Os dados do UKOSS incluem apenas mulheres grávidas. No entanto, o grupo disse que, embora o aumento nas hospitalizações esteja amplamente alinhado com o atual aumento nas admissões hospitalares de Covid-19 na população geral do Reino Unido, os dados destacam um aumento entre as mulheres grávidas que precisam de cuidados para sintomas agudos.

A vacina traz riscos para o bebê?

Estudos anteriores mostraram que a infecção por Covid-19 aumenta o risco de resultados negativos para a mãe e para o bebê. Esses riscos incluem pré-eclâmpsia, infecções, internação em unidades de terapia intensiva hospitalar e até morte.

De acordo com um estudo de abril publicado na JAMA Pediatrics que analisou mais de 2.000 mulheres grávidas em 43 instituições médicas em 18 países, bebês nascidos de mães infectadas com o coronavírus também corriam um risco um pouco maior de parto prematuro e baixo peso ao nascer.

Os novos dados coletados pelo UKOSS mostraram que uma em cada cinco mulheres admitidas no hospital com sintomas graves de Covid-19 teve um parto prematuro e a probabilidade de parto cesáreo dobrou. Um em cada cinco bebês nascidos de mães com sintomas de coronavírus também foi internado em unidades neonatais.

A vacina é segura para grávidas?

Sim, é segura. Estudos e dados do mundo real mostraram que não há preocupações específicas de segurança para gestantes ou seus bebês ao tomar a vacina contra Covid-19.

“Centenas de milhares de mulheres grávidas em todo o mundo foram vacinadas, protegendo-se com segurança e eficácia contra a Covid e reduzindo drasticamente o risco de doenças graves ou danos ao bebê”, disse Gill Walton, chefe-executiva do Royal College of Midwives no Reino Unido, em um comunicado na sexta-feira.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização do Reino Unido e o Grupo Consultivo Técnico de Imunização da Austrália aconselham mulheres grávidas a tomarem a vacina contra Covid-19. A OMS diz que as mulheres grávidas devem tomar a vacina em situações em que os benefícios da vacinação superem os riscos potenciais – casos de gestantes que vivam em áreas com alto número de casos.

Alguns países até priorizaram a imunização para grávidas. O governo australiano disse que qualquer mulher grávida e com mais de 16 anos pode tomar a vacina agora, embora a sua vacinação lenta signifique que apenas aquelas com mais de 40 anos são atualmente elegíveis para a vacina entre a população em geral.

As províncias canadenses de Ontário e Colúmbia Britânica também priorizaram a vacinação para grávidas.

Mas as recomendações da vacinação para grávidas não são unânimes no mundo. De acordo com dados coletados pela Johns Hopkins University (JHU), 20 países atualmente recomendam o uso da vacina contra Covid-19 na gravidez, enquanto 39 permitem a vacinação.

Outros 33 países permitem as vacinas em algumas situações – por exemplo, se mulheres grávidas enfrentam um risco maior de contrair Covid-19 por causa de seu trabalho ou têm problemas de saúde subjacentes que as colocam em risco de desenvolver doenças graves.

De acordo com os dados do JHU, 51 países não recomendam a vacina durante a gravidez ou o fazem apenas sob certas condições. Entre estes países está a Alemanha, que citou a falta de dados de segurança como a razão para sua posição, porque as grávidas não fizeram parte dos testes de segurança.

E quem está amamentando?

A OMS recomendou que as mulheres que amamentam devem ser vacinadas e disse que as mulheres não devem parar de amamentar devido à vacinação, porque as vacinas não devem representar qualquer risco para o bebê.

Vacinas Covid não causam infertilidade

Mitos sobre as vacinas contra Covid-19 que afetam a infertilidade ou prejudicam a placenta têm circulado nas redes sociais, mas os cientistas têm sido claros: estas constatações não têm base científica.

Não há base biológica por trás das alegações de que as vacinas contra Covid-19 podem prejudicar a placenta, o órgão que fornece oxigênio e nutrientes ao bebê durante a gravidez.

O Dr. Richard Beigi, que faz parte do Grupo de Trabalho de Especialistas em Imunização, Doenças Infecciosas e Preparação para Saúde Pública do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, disse que não havia “nenhuma razão científica clara para pensar que a nova vacina causaria problemas de fertilidade”.

Da mesma forma, é impossível contrair o coronavírus com a vacina, pois as injeções não contêm o vírus do Covid-19 vivo.

“Você não pode contrair Covid-19 com as vacinas e não pode transmiti-lo ao seu bebê através do leite materno”, de acordo com o conselho oficial do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido.

Na verdade, a pesquisa mostrou que a maioria das mulheres grávidas que recebeu as vacinas Pfizer / BioNTech e Moderna contra Covid-19 transmitiu anticorpos protetores para seus recém-nascidos, medidos no leite materno e na placenta.

(Texto traduzido. Leia aqui o original em inglês.)

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