Ocupação de leitos de UTI é superior a 80% em 22 estados e no DF

Mato Grosso do Sul assume a posição de Rondônia com 100% de ocupação; se um cidadão sul-mato-grossense precisar ser internado, não há leitos disponíveis

Paloma Souza e Weslley Galzo, da CNN, em São Paulo

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A taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) já ultrapassa 80% em 23 das 27 unidades federativas que compõem o Brasil. O levantamento feito pela CNN junto às secretarias de Saúde estaduais acompanha a evolução da disponibilidade de leitos no país.

Nesta quarta-feira (11), 22 estados e o Distrito Federal estão acima da margem de segurança para a realização de rotatividade dos leitos entre os enfermos.

Desde a última atualização, um novo estado passou a integrar a lista de alerta, Alagoas, que na manhã do dia 10 de março estava com 75% dos leitos ocupados, mas amanheceu nesta quinta-feira (11) com taxa de ocupação em 80%. 

Os estados e municípios geram os dados a partir de critérios diferentes, como a situação da rede pública e privada, a ocupação de UTI adulta, pediátrica e de Covid-19, assim como a taxa total que reúne todas as informações.

Em comparação com o último levantamento, Rondônia (86%) registrou melhora dos indicadores. No dia anterior o estado da região Norte do país estava com 100% dos leitos de UTI adulto do sistema público ocupados. Com a atualização dos dados, o Mato Grosso do Sul assumiu a posição de Rondônia de colapso no sistema de saúde com 100% de ocupação dos leitos públicos de UTI adulto.

A região Centro-Oeste tem o pior índice de ocupação entre os estados. Além do Mato Grosso do Sul, Goiás (97,3%), Mato Grosso (96,4%) e Distrito Federal (95,4%) estão próximos do esgotamento dos leitos de UTI Covid e UTI disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) regional.

 

 A região Sul vem logo atrás da Centro-Oeste no colapso do sistema de internação. Os três estados que formam a região, Paraná (94%), Santa Catarina (96,3%) — com UTI adulto em 99% de ocupação — e Rio Grande do Sul (98,8%), já exauriram a sua capacidade de rotatividade dos leitos e evoluem lentamente para o esgotamento completo da sua capacidade de internação.

Depois de viver o colapso, com 119% de ocupação nas redes pública e privada, o Rio Grande do Sul conseguiu reverter o quadro de crise e mostrava uma tendência de queda, que não se confirmou devido ao crescimento 2% na taxa de ocupação desde o último levantamento.

No Norte do país a situação também é grave, Acre (92,5%), Tocantins (90%) e Amapá (90%) estão em colapso, mas Amazonas (83,2%) e Rondônia (86%) conseguiram frear a curva ascendente em que estavam.

No Nordeste, quatro estados estão em colapso por ultrapassarem a faixa dos 90% de ocupação. Pernambuco (95%), Ceará (90,1%), Rio Grande do Norte (91%) e Piauí (90,4%) estão com os piores índices da região — os três últimos com crise ainda mais aguda por contabilizarem os dados com a somatória da ocupação nas redes privada, pública e contratualizada.

A região tem ainda outros quatro estados com taxas de ocupação que ultrapassam 80%, mas em situação mais controlada, ou em queda. São eles: Bahia (88%) Maranhão (85,3%), Paraíba (80%) e Sergipe (82,4%). No Sudeste, apenas São Paulo (83%) está acima dos 80% de ocupação dos leitos da rede pública.

Veja os estados com ocupação em leitos de UTI acima de 80%, além do Distrito Federal:

  • Paraná – 94%
  • Santa Catarina – 96,3% (UTI adulto: 99,2% | UTI pediátrico: 70,3% | Neonatal: 90,6%)
  • Rio Grande do Sul – 98,8%
  • São Paulo – 83%
  • Distrito Federal- 95,44%
  • Espírito Santo – 80,11%
  • Mato Grosso do Sul – 100%
  • Goiás – 97,36%
  • Mato Grosso – 96,43%
  • Bahia – 88%
  • Pernambuco – 95%  
  • Maranhão – 85,36%
  • Paraíba – 80%
  • Acre – 92,5%
  • Tocantins – 90%
  • Rondônia – 86%
  • Amapá – 90%
  • Sergipe: 80,7% 

Veja os estados com ocupação em leitos de UTI abaixo de 80%:

  • Rio de Janeiro – 69,3%
  • Minas Gerais – 78,1 %
  • Espírito Santo – 79,8%
  • Pará – 76,5%

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